O Walmart fundado em 1962 por Sam Walton tornou-se uma das maiores empresas do mercado americano, representando quase 2% de seu PIB.
Com negócios em 15 países - inclusive o Brasil - mais de 8.400 lojas e mais de 2 milhões de funcionários, tornou-se também uma das maiores empresas do mundo. Em 2009, seu faturamento global (incluindo a marca Sam’s Club) chegou a US$401 bilhões e seu lucro líquido a US$13,4 bilhões.
Porém, para atingir seus objetivos o Walmart sacrificou sua reputação e tornou-se a antítese da cidadania empresarial. Pressionando fornecedores por menores preços, espremendo salários e benefícios e proibindo a sindicalização de seus colaboradores, envolveu-se em vários problemas com governo e sociedade e conseqüentemente, feriu sua reputação e o valor do negócio.
Para o fundador, o único stakeholder parecia ser o consumidor: “… do ponto de vista do consumidor, você quer tudo: uma grande variedade de produtos de qualidade, o menor preço possível, satisfação garantida,… Você ama quando a loja excede suas expectativas e odeia quando a loja é inconveniente, é difícil ou pretende que você é invisível.”
Assim, o modelo de negócios do Walmart trouxe crescimento e lucros, mas também muitos problemas, especialmente nos Estados Unidos:
- Desde 2004 enfrenta um processo na justiça americana por discriminação no trabalho representado por 1,6 milhões de suas funcionárias mulheres. Nos EUA, há mais de 75 processos contra a empresa devido a suas práticas trabalhistas – o prejuízo pode custar mais de US$640 milhões
- Perdeu mais de 200 disputas com comunidades locais na busca da licença de operar suas lojas
- Em vários estados, a empresa é obrigada por decisão judicial a investir pelo menos 8% de sua folha de pagamento em seguro saúde para seus funcionários
- Em 2009 envolveu-se em um escândalo devido ao trabalho infantil encontrado em um de seus fornecedores de fruta nos Estados Unidos
Apesar disso, hoje o Walmart define-se como empresa líder em sustentabilidade, filantropia corporativa e oportunidade de trabalho. E mais uma vez foi eleita a primeira do ranking Empresa Mais Admirada pela Fortune.
A mudança começou com a tragédia do Furacão Katrina em 2005, quando o Walmart, junto com outras empresas com grande poder logístico, conseguiram fornecer água e alimentos para a população de New Orleans muito antes do que órgãos governamentais americanos. Sensibilizado Lee Scott, CEO e presidente do Walmart, resolveu adotar a sustentabilidade como um novo estilo de negócios e no website da empresa diz que a sustentabilidade representa “a maior oportunidade para a próxima geração“. Certamente também contribuiram a pressão de vários acionistas (entre eles o United Methodist Board of Pension and Health Benefit) para que a empresa divulgasse um Relatório de Sustentabilidade, toda a mídia negativa e os prejuízos acumulados com os processos nos EUA.
Hoje, o Walmart foca na sustentabilidade para resgatar sua reputação e imagem, algumas de suas iniciativas são:
- Publicou um Relatório de Evolução de Sustentabilidade (2007/2008) e em 2009 seu primeiro Relatório Global de Sustentabilidade
- Criou uma iniciativa para o desenvolvimento do índice de sustentabilidade (a ser finalizado até 2013), com 3 etapas:
- Solicitou que 100 mil fornecedores americanos respondessem a um questionário sobre sustentabilidade (out/2009)
- Patrocinou a criação de um consórcio com universidades, outros varejistas, fornecedores, representantes de ONGs e governo para a criação de uma base de dados mundial para a análise do ciclo de vida de vários produtos (de suas matérias-primas ao descarte após o consumo)
- Trabalha para disponibilizar estes dados na forma de um “índice de sustentabilidade” para que os consumidores possam decidir o que consumir de maneira mais sustentável. Já em 2009, será feito um teste com alguns produtos eletrônicos, alimentícios e de limpeza
- Criou uma Rede de Valores Sustentáveis, formada por líderes da empresa, de fornecedores, da academia, do governo e do terceiro setor, para analisar, criar soluções e integrar a sustentabilidade no dia-a-dia dos negócios. Esta rede inclui iniciativas nas áreas de: energia, construção verde, logística, resíduos, embalagem, madeira e papel, agricultura e pesca, têxteis, jóias, entre outras
- Definiu metas, e compromete-se a divulgar as soluções mais sustentáveis, para:
- Adoção de energia de fontes renováveis para lojas e frota
- Redução de resíduos (meta: resíduo zero)
- Redução de embalagens
- Tem buscado aumentar a oferta de produtos sustentáveis (produtos orgânicos, do comércio justo, luzes fluorescentes, etc) em suas lojas
- Disponibilizou um vídeo com idéias e casos de sucesso para incentivar a sustentabilidade –> http://walmartstores.com/Sustainability/8844.aspx
Se os esforços atuais são suficientes para apagar as marcas do passado ainda não sabemos. Mas tornando-se mais responsável pelas pessoas e pelo meio ambiente o Walmart, sem dúvida, alinha-se à busca pelo desenvolvimento sustentável.
- February 1, 2010
- Posted by Sueli Chiozzotto at 17:37
- Add comments
- Casos, Empresas
- eco-eficiência, marketing social, modelo de negócios, mudança climática, stakeholders, sustentabilidade, transparência




Finalmente alguém q tocou no ponto q eu queria do WalMart! Por causa desse passado duvidoso eu as vezes acho q as acoes deles é um grd greenwashing…
Olá Claudia,
Vamos continuar acompanhando e torcer para que não fique somente no discurso! Sei de algumas ações reais junto aos fornecedores e de qualquer maneira, é excelente ver uma empresa deste tamanho e com este poder falar (e esperamos agir corretamenta) em prol da sustentabilidade.
O potencial de influência social (fornecedores, consumidores, clientes, …) é altíssimo e torna a iniciativa muito relavante! Obrigada pelo comentário e sucesso!