Dec 012009
 
Em 2000 a ONG americana The Roberts Enterprise Development Fund (REDF) publicou pela primeira vez sua metodologia para avaliação de resultados de investimentos sociais (em inglês, SROI: Social Return On Investment). 
Retorno de investimento

Aitor Escauriaza

A metodologia foi desenvolvida com o apoio de acadêmicos, especialistas das áreas de finanças e do terceiro setor e objetivou comparar os resultados sociais versus os dólares investidos.  Aplicada inicialmente em sete ONGs da Bay Area de São Francisco que tinham como objetivo comum, dar treinamento e criar oportunidades de trabalho para que as pessoas pudessem sair da situação de pobreza, o SROI tornou-se uma ferramenta popular entre consultores e acadêmicos.
Naquela época, Cinthia Gair responsável pelos programas da REDF, indicava que o SROI possibilitava quantificar custos e benefícios da ação social e estimar os retornos de longo prazo para a comunidade
A metodologia segue seis passos principais:
  1. Calcular o valor da iniciativa social usando o método de fluxo de caixa descontado
  2. Calcular o valor da proposta social através de fatores sócio-econômico
  3. Integrar os valores calculados em um único indicador, subtraindo as dívidas de longo prazo
  4. Calcular o índice de retorno da iniciativa
  5. Calcular o índice de retorno social
  6. Calcular o índice de retorno integrado

O SROI é uma ferramenta importante sem dúvida, mas, como mencionado no artigo “A report from the good ship SROI” de Cinthia Gair de 2002, ficaram grandes perguntas. Entre elas:

  • Como tratar a questão causalidade nos cálculos?
  • Como incluir custos e benefícios não considerados?
  • Como melhorar os cálculos sem indicadores apropriados para o setor?
  • Como tornar a metodologia mais simples?
retorno social

Aitor Escauriaza

Em 2009, a REDF lançou um novo relatório “SROI Act II: A Call to Action for Next Generation SROI” também assinado por Cynthia Gair, onde ela verifica que muitas vezes o SROI foi mal interpretado por investidores e analistas, prejudicando o real entendimento dos desafios e resultados das ONGs analisadas. Por ser numérico, muitos o utilizaram como única fonte de decisão, desconsiderando informações qualitativas cruciais. Portanto, neste novo relatório Cinthia indica como a próxima versão do SROI deve ser aplicada:

  • Utilizar dados financeiros e resultados sociais confiáveis (de sistemas comprovados e integrados automaticamente). Criar relatórios analíticos gerados por estes dados
  • Capturar e analisar retornos em unidades monetárias e não-monetárias
  • Criar análises específicas para responder as questões realizadas

Desde 2000 a metodologia foi aplicada por várias organizações nos Estados Unidos e na Europa, entre elas, outras entidades de venture philanthropy, ONGs e consultorias, e evoluiu muito. Apesar disso, os desafios para avaliar o retorno de investimentos sociais, dar maior transparência aos resultados e comparar iniciativas sociais distintas ainda são questões “não resolvidas”. O SROI por si só ainda não consegue responder a todas as questões de investidores, comunidades e ONGs, pelo menos, não sem o uso da capacidade analítica do homem. Então, mãos a obra!

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

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