Sep 212011
 

Reengenharia de produtosNa seara da sustentabilidade, reconstrução de produto significa a recuperação de materiais, (re)processamento e revenda de produtos, indo da reciclagem e renovação até a re-manufatura (que além do reaproveitamento, inclui a adição de materiais novos).

Na reciclagem o produto é “desconstruído” e suas partes (como: alumínio, vidro, papel, e borracha), são aproveitadas para a manufatura de novos produtos, reduzindo o custo de matérias-primas e sua dependência. Quando materiais reciclados são revendidos, a reciclagem  tornar-se uma nova fonte de receitas. Neste caso, são fatores críticos de sucesso:

  • Conhecer intimamente o processo de manufatura original
  • Manter contratos com consumidores garantindo o mercado para os produtos reciclados — já que as barreiras para entrada de mercado são baixas
  • Viabilizar economicamente a recuperação de materiais, garantindo o lucro do negócio.

Na renovação o produto (tipicamente eletro-eletrônicos, máquinas, equipamentos e móveis) é consertado sem modificações, ou seja, o produto é limpo e as partes defeituosas são consertadas e/ou trocadas por peças novas. Neste caso, os fatores críticos de sucesso também incluem:

  • Entender o potencial de renovação do produto usado (reaproveitamento de materiais, peças e partes quebradas, por exemplo), para que o produto final seja similar ao novo
  • Conhecer profundamente o mercado do produto novo (preços, características, etc), para viabilizar a venda
  • Ter excelência na aquisição de produtos usados (processos, preços, etc.)
  • Desenvolver um esquema de distribuição próprio e/ou utilizar atacadistas e varejistas do mercado.

Já na re-manufatura o produto é totalmente desmontado, limpo, consertado e adicionado de melhorias, incluindo a modernização de tecnologias e materiais, buscando-se um melhor desempenho do produto final e sua total adequação ao mercado de produtos novos. Similarmente, precisa-se ter excelência desde a aquisição de produtos usados, peças e partes, conhecimentos específicos sobre os processos de manufatura para consertos e  integração de novas tecnologias, assim como, marketing, precificação, distribuição e venda dos produtos reconstruídos.

Mais ainda, de acordo com John A. Pearce II, pesquisador americano responsável pelo lançamento deste estudo em 2009, há 6 tipos de consumidores para produtos reconstruídos:

  1. Aqueles que precisam manter um certo aspecto técnico em seus processos (seja em equipamentos, linhas de produção ou fornecimento de serviços)
  2. Aqueles que querem evitar um novo processo de especificação, aprovação e certificação do produto
  3. Aqueles que utilizarão pouco o novo equipamento e escolhem a versão re-manufaturada, mais barata
  4. Aqueles que desejam continuar usando um produto descontinuado pelo fabricante
  5. Aqueles que querem estender o tempo de serviço de seus produtos, evitando a compra de novos
  6. Aqueles interessados em produtos “verdes”, e que portanto, buscam produtos que utilizam menos materiais e energia em sua produção, por exemplo. Em 2009, estimava-se que a re-manufatura economizava 120 trilhões BTU de energia, conservando-se de 5 a 9 kilos de material para cada kilo de material novo utilizado, reduzindo lixo e desperdícios ao longo do caminho.

Também, segundo o pesquisador, esta prática pode trazer resultados econômicos muito positivos, incluindo:

  • Redução de preços (de 50% a 70% na maioria dos casos), mantendo o alto desempenho do produto original, devido ao reaproveitamento de materiais 
  • Maiores margens (média de 20%, vs. 3% a 8% de margem na indústria americana), devido à simplificação de processos de manufatura e ao reaproveitamento de materiais e componentes
  • Novas receitas, permitindo que a empresa lucre várias vezes com um único investimento inicial
  • Alavancar conhecimentos e eficiência na manufatura

O pesquisador indicava que algumas empresas iniciaram esforços para a reconstrução de seus produtos, especialmente para evitar que outros se beneficiassem dos lucros provenientes desta atividade; e que nos Estados Unidos, o governo formou parcerias com Best Buy, AT&T Wireless, Sony, Panasonic e Sharp para facilitar a reconstrução de equipamentos eletrônicos. Além disso, foi criado um programa para trabalhar com grandes corporações visando à redução da emissão de gases efeito estufa (GHG), baseado na reconstrução de produtos.

Há um longo e complexo caminho pela frente, porém urgente. Não podemos arriscar a depleção dos recursos naturais do planeta, em favor do consumo. De fato, podemos buscar alternativas mais sustentáveis como a apresentada neste estudo.

A MGM Partners trabalha pela sustentabilidade das organizações, buscando alternativas que agreguem valor aos negócios e que respeitem a natureza e o ser humano, buscando a perenidade e a eficiência no uso dos recursos ambientais, em paralelo ao aumento do desenvolvimento humano e social.

Leia o trabalho completo em: http://http//sloanreview.mit.edu/the-magazine/2009-spring/50313/the-profit-making-allure-of-product-reconstruction/?utm_source=Publicaster&utm_medium=email&utm_campaign=Sust%20Enews%20July%2014%202011&utm_term=Read+FREE+for+a+limited+time+

John A. Pearce II é professor de gestão na Villanova University.
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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.
 September 21, 2011  Posted by on September 21, 2011 Empresas, Meio Ambiente Tagged with: , , , ,  Add comments

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