Aug 232017
 

De acordo com Paul Polman (chairman do WBCSD e CEO da Uniliver), e CB Bhattacharya (consultor e educador), em um artigo da MIT Sloan Management Review, os 6 maiores desafios para implementar um modelo de negócios sustentável são:

1- Deixar de ser uma iniciativa de gestão focada no aumento de lucratividade/valor de mercado (e, potencialmente, não ser aceita pela equipe). A sustentabilidade nas empresas bem-sucedidas começa com a revisões estratégicas lideradas pelo CEO que deixam a visão interna (o que temos, como vendemos), para focar na visão externa (para onde o mundo vai e qual nosso papel). Algumas questões importantes são:

  • Qual é a proposta do negócio
  • Da onde virá o crescimento no futuro
  • Quais são as grandes tendências impactando o negócio
  • Quais são as potenciais limitações de suprimentos
  • Quais são as demandas dos públicos de interesse internos e externos

2- Olhar a cadeia de valor por completo considerando tanto os impactos no planeta (carbono, energia, água e resíduos), como nas pessoas (incluindo condições de trabalho), da concepção e distribuição de produtos/serviços até a disposição após o final de ciclo de vida;

3- Tornar a sustentabilidade uma prioridade do Conselho: de acordo com vários estudos o envolvimento do Conselho ainda é baixo. Isso deve-se a vários fatores, como: dificuldade dos gestores mostrarem impactos financeiros, falta de conhecimento dos conselheiros sobre sustentabilidade, muitas “prioridades”, foco no curto prazo, e a visão de aumento de valor do negócio para os acionistas somente. Neste caso recomenda-se:

  • Esclarecer o papel do Conselho, ou seja, acima de tudo assegurar a viabilidade do negócio no longo prazo e garantir que não haja riscos indevidos
  • Apontar novos conselheiros com conhecimento de sustentabilidade ou apoiar-se em grupos externos que atuam na área
  • Integrar sustentabilidade explicitamente nas tarefas do Conselho

4- Ganhar apoio dos colaboradores menos comprometidos com a causa. Para isso, recomenda-se: estabelecer e acompanhar metas (potencialmente, aliando desempenho de gestores à compensação anual), dar permissões, remover barreiras, enfatizar resultados, além, de treinamento e empoderamento, acertando coração e cérebro!

5- Tornar sustentabilidade parte do trabalho diário de todos , ou seja, traduzir a estratégia corporativa em táticas e tarefas envolvendo todos os colaboradores. Alguns exemplos de como envolver as áreas são:

  • Compras: garantir segurança na cadeia de fornecedores, fornecimento sustentável, relacionamento com fornecedores, redução de desperdícios;
  • Marketing: promover o consumo e o descarte responsáveis, desenvolver produtos e serviços sustentáveis;
  • Inovação e P&D: avaliação de impactos (através de análises de ecoeficiência e ciclo de vida, por ex.), desde o projeto inicial de produtos/serviços;
  • Finanças e Relacionamento com Investidores: inclusão de critérios de sustentabilidade nas ferramentas financeiras tradicionais e avaliação de resultados, (ex: análise de valor agregado), relatórios integrados que incluem sustentabilidade e reporte econômico-financeiro (ferramenta SAP);
  • Unidades de Negócios/Geográficas: liberdade para regionalização da estratégia corporativa.

6-Colaboração ao invés de competição: grandes e complexas questões na cadeia de valor (como, por exemplo, o desflorestamento), demandam esforços conjuntos de várias empresas. Para isso é crítico que as empresas foquem no desafio em questão, lutando pela sustentabilidade e pelos públicos de interesse envolvidos e não somente pelo próprio negócio. Mas, apesar das dificuldades, a colaboração permite a ampliação de conhecimentos, de redes de relacionamento, de influência política, de impacto na opinião pública e contribui para a definição de padrões de normas. A recomendação dos autores é começar colaborando com fornecedores e então avançar para públicos de interesse externos como ONGs, academia, instâncias de governo ou associações de interesse até atuar com os competidores.

Leia o artigo completo (dez/16) em inglês em: Sustainability Lessons

De fato, estes desafios são presentes e comuns em grande parte das organizações, mas como mencionaram os autores, superá-los deve ser parte do dia-a-dia dos negócios em busca do desenvolvimento sustentável. Com certeza, é possível e contribuirá para um futuro melhor. Conte conosco!

Empresas mencionadas no artigo: Coca-Cola, Procter & Gamble, Pepsico, Nestlé, Marks and Spencer, Sainsbury´s, United Nations, IBM, Milton Friedman, New Balance Athletics, Bloomberg, Boston Consulting Group, Harvard Business School, Dow Chemical.

 

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

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