Dec 272010
 
2010 foi o ano da biodiversidade e em 2009 a SustainAbility fez um estudo de seu impacto nos negócios. Os principais resultados foram:
  • A menos dos impactos diretos, a maioria dos executivos acreditam que a biodiversidade nada tem a ver com seus negócios e colocam a responsabilidade de sua proteção nos governos. De fato, além de não mencionarem como prioridade, a maioria não reporta a biodiversidade como um item de materialidade (isto é, com significância financeira para os negócios)
  • Empresas e respectivas cadeias de suprimentos têm alto impacto na biodiversidade, não somente no que se refere à sua destruição, mas especialmente, em sua capacidade de reconstrução do meio ambiente através da inovação
  • Alguns setores como mineração, óleo e gás, já desenvolvem ações em prol da biodiversidade dado o enorme impacto de suas operações e a necessidade de conseguir e manter a licença para operar
  • Além disso, os setores mais impactados pela biodiversidade são energia, alimentos e agricultura. Os últimos tem priorizado:
    • Intensificação sustentável do cultivo
    • Uso sustentável da terra
    • Redução do consumo excessivo de carne, energia e produtos florestais
    • Fim da exploração abusiva dos recursos naturais (principalmente a pesca)
    • Proteção e restauração de ecossistemas
  • Algumas empresas se destacam na área da biodiversidade:
    • Shell que investe em mapeamentos de biodiversidade e, mais recentemente, em compensações
    • J&J que busca melhorar a conservação da biodiversidade em todas as suas unidades e trabalha com a Universidade de Harvard para provar a dependência da saúde humana em relação à biodiversidade
    • Exxon que está desenvolvendo em parceria com Craig Venter um biocombustível a base de algas

A liberalização do comércio, acordada nos Encontros de Doha, deve transferir grande parte da perda de diversidade da América, Europa e Japão para a África e América Latina, que também perderão florestas e campos, tornando a questão ainda mais relevante nestes países.

De  acordo com as Nações Unidas, 60% dos serviços dos ecossistemas (como polinização e suprimento de água fresca), estão em degradação ou sendo utilizados de maneira insustentável. Em 2002, no Encontro de Johannesburg, líderes mundiais concordaram em reduzir significativamente a perda de biodiversidade mundial até 2010, mas este objetivo não foi atingido. Pior, de acordo com o Secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon, as pressões que demandam a biodiversidade tem se intensificado, reduzindo catastroficamente a capacidade dos ecossistemas nos proverem alimentos, água limpa, saúde, recreação e proteção de desastres naturais, entre outros. O impacto inicial será maior entre os  pobres, daí a importância e o risco que corre as Metas do Milênio: eliminação da pobreza, segurança alimentar e populações mais saudáveis. Além disso, biodiversidade e mudanças climáticas estão totalmente inter-relacionadas e é crítico tratar estas questões de forma coordenada”. 

A recomendação do 3º Panorama da Biodiversidade Global (Third Global Biodiversity Outlook), lançado em 2010, é que a conservação do meio ambiente não seja realizada após outros objetivos sejam alcançados. A conservação deve ser pensada junto com o desenvolvimento de objetivos e desta maneira, priorizada. Afinal, a biodiversidade é a base para um planeta mais saudável e para um futuro sustentável, ressalta o sr. Ban Ki-moon.  O documento completo em português está disponível em:  http://www.cbd.int/doc/publications/gbo/gbo3-final-pt.pdf

O World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), desenvolveu uma Iniciativa de Avaliação de Ecossistemas para quantificar riscos e oportunidades dos ecossistemas, permitindo incluir os valores da biodiversidade nos negócios.  O WBCSD também apóia os princípios do relatório do TEEB (The Economics of Ecosystems and Biodiversity, ou, Princípios Econômicos dos Ecossistemas e da Biodiversidade), iniciativa internacional criada propagar os benefícios da biodiversidade (inclusive calculando os custos de perdas e degradações), e para que a biodiversidade e os ecossistemas sejam incluídos efetiva, consistente e integralmente nas regulamentações e políticas.

Os resultados desta iniciativa do WBCSD foram apresentados recentemente na Convenção da Diversidade Biológica em Nagoya no Japão. Veja o documento completo em: http://www.wbcsd.org/Plugins/DocSearch/details.asp?DocTypeId=25&ObjectId=Mzg4NTE&URLBack=%2Ftemplates%2FTemplateWBCSD2%2Flayout%2Easp%3Ftype%3Dp%26MenuId%3DMjM2%26doOpen%3D1%26ClickMenu%3DLeftMenu

Além disso, o Programa de Meio-Ambiente das Nações Unidas também desenvolve o Green New Deal (Novo Acordo Verde), que considera o seqüestro de carbono da atmosfera apenas um dos serviços prestados pelas florestas (estimado em US$6.120,00 per hectare por ano), além de oferecer, produção de alimento, materiais para construção, purificação da água e oportunidades de turismo, entre outros.

Impossível considerar que a biodiversidade e os ecossistemas não fazem parte das responsabilidades dos homens, e portanto, de seus governos e organizações públicas e privadas, concorda?

Share

Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

 Leave a Reply

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

(required)

(required)