O Florest Footprint Disclosure Project (FFD Project), ou Projeto para a Divulgação do Desflorestamento, é uma nova iniciativa apoiada pelo governo do Reino Unido e por 38 instituições financeiras (que juntas somam mais de $38 trilhões em ativos), para ajudar investidores a identificar organizações cujas atividades e/ou cadeia de suprimentos, contribuem para o desflorestamento. O FFD busca transparência nas relações entre empresas e investidores e foi modelado nas mesmas linhas do Projeto para Divulgação do Impacto do Carbono.
Devido ao impacto do desflorestamento na mudança climática e no aumento no risco do negócio, o FDD reavalia o valor das empresas de acordo com o desflorestamento (em inglês “forest footprint”) causado direta ou indiretamente por seus produtos e processos.
Empresas participantes deverão divulgar aos investidores anualmente, como suas operações e cadeias de suprimento impactaram as florestas no mundo todo, e o que fizeram para gerenciar estes impactos de forma responsável. Potencialmente, estas empresas ganham investidores que buscam empresas responsáveis nesta área, e ampliam suas perspectivas sobre custos envolvidos na gestão e manejo de florestas, legislação e impacto do negócio sobre o clima.
A primeira revisão anual do FDD aconteceu em Londres e contou com a participação de 180 representantes do mundo todo. Dois especialistas brasileiros falaram sobre o impacto da produção de carne e couro na floresta Amazônica, Roberto Smeraldi (fundador e diretor do Amigos da Terra Amazônia Brasileira) e Judson Ferreira Valentim (diretor geral da EMBRAPA no Acre). Nesta primeira etapa, 35 empresas, incluindo empresas brasileiras, responderam ao questionário do FDD.
O documento com os principais resultados desta primeira pesquisa estão disponíveis no link: http://www.forestdisclosure.com/docs/FFD_Annual_Review_WEB.pdf
Mundialmente o desflorestamento é causado principalmente pela agricultura e pela agropecuária, e em especial para produção de commodities como soja, óleo de palma, etanol, madeira e carne. Portanto, esta iniciativa tem um grande potencial de impacto no Brasil (que vende, por exemplo, 32% de sua produção de soja para alimentação do gado na Europa).
Além disso, de acordo com o relatório de 2006 da Stern Review (“The Economics of Climate Change”) , 20% de toda a emissão de carbono no mundo é causada pelo desflorestamento, portanto, este assunto deve tomar maiores proporções nas discussões sobre mudança climática.
A boa notícia e que no Brasil o FDD já ganhou aliados, segundo Paul Rowsome gerente de meio ambiente do Grupo Carrefour, “O Carrefour Brasil, dentro do contexto da ABRAS, tem promovido auditorias externas para assegurar que a carne não seja comprada de áreas desflorestadas da Amazônia.”
O projeto também detalha iniciativas na produção de carne, madeira, soja, etanol e óleo de palma. Para saber mais e entender como participar acesse o link: http://www.forestdisclosure.com/



Em 8/jun/2010 no auditório do Banco Santader (que é 1o. patrocinador brasileiro desta iniciativa) o FFD fez o lançamento do novo questionário que será enviado para quase 300 empresas no mundo inteiro para que estas indiquem seu footprint no desflorestamento.
No Brasil a Fibria foi apresentada como caso de sucesso na produção de celulose sem desflorestamento e a Unilever global como cliente responsável pelo rastreamento de milhares de fornecedores no mundo todo.
Infelizmente, em 2009 menos de 30 empresas responderam ao questionário (dos 218 enviados) e o foco ainda é o terceiro mundo, ou seja, nossas florestas tropicais…