Jan 122010
 

A Lego criada em 1932 na Dinamarca, tornou-se uma das marcas de brinquedos mais famosas do mundo e após anos de sucesso, no final dos anos 90, quase entrou em falência (em 2003 era ameaçada de compra pela Mattel). A Lego sofria com a concorrência, tanto de produtos similares, como de vídeo games, mas também com seu alto custo de produção.  Várias iniciativas foram tomadas, mas certamente o engajamento de stakeholders (neste caso, de consumidores), teve contribuição decisiva para uma reviravolta nos resultados e no modelo de negócios da companhia. Em 2007, a Lego reportou o melhor desempenho financeiro de sua história.

Já em 2000, a Lego lançou o Mosaic, um programa de Internet que recebia fotos digitalizadas de consumidores e passava as instruções e os blocos necessários para montá-las (futuramente enviaria ao cliente um kit de montagem completo). 

Em 2005, a Lego lançou a LEGO Factory, onde os consumidores usavam o computador para criar, compartilhar e comprar seus próprios kits personalizados. Conforme indicou Mark Hansen, diretor da LEGO Experiências Interativas: “Com a LEGO Factory podemos expandir para além de nossos 100 desenhistas de produto e aproveitar a criatividade de mais de 300 mil desenhistas no mundo todo.”

 

Engajando consumidores Lego

Repoort

Foi um sucesso absoluto. Já nas primeiras 11 semanas, mais de 8 mil produtos foram criados e 10 foram votados pelos consumidores para produção em escala. Os consumidores-criadores (com idades entre 9 a 38 anos de idade) ganham royaltes pelas vendas. 

A Lego também criou a série Mindstorms, kits de legos sofisticados, com peças programáveis e sensores que permitem o movimento dos brinquedos construídos. Quando consumidores começaram a modificar softwares e códigos, ao invés de restringir e controlar o acesso, a Lego aproveitou a oportunidade para engajar estes desenvolvedores.  Disponibilizou programas, criou competições e comunidades de usuários.  Rapidamente mais de 40 novos softwares foram desenvolvidos e compartilhados. 

Avançando ainda mais no conceito, a Lego utilizou alguns destes consumidores para o desenvolvimento de novos produtos. Neste caso, o pagamento era até desnecessário, como disse um dos consumidores-desenvolvedores: “Vamos conversar sobre Legos e seremos pagos com Legos? Realmente querem nossa opinião? Nada há nada melhor que isso.”

Hoje, a Lego continua a desenhar e vender brinquedos da maneira tradicional, mas o desenvolvimento em conjunto com consumidores tornou-se uma nova área de negócios. Novas plataformas de criação, aprimoramento e compartilhamento foram criadas, trazendo inovação, criatividade, engajamento e, portanto, fidelizando consumidores. O que mais uma empresa precisa?

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.
 January 12, 2010  Posted by on January 12, 2010 Casos, Empresas Tagged with: , , ,  Add comments

  One Response to “Lego: engajamento de consumidores no desenvolvimento de produtos”

  1. Grata Raphael, realmente foi um erro!

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