Feb 022010
 

A ONG americana United States Green Building Council (USGBC)  busca ampliar o acesso a construções verdes no período de uma geração. Para isso, criou o LEED (Leadership in Energy and Environment), certificação que indica liderança em energia e meio-ambiente na construção civil. Atualmente há 35 mil projetos certificados em 91 países, compreendendo quase 460 milhões de metros quadrados (comparado a menos de 30 milhões em 2002!).

Com foco na redução do uso de energia, as construções, certificadas economizam dinheiro para os proprietários, reduzem a emissão de gases de efeito estufa e contribuem para a proteção do meio ambiente e da sociedade.

O representante da USGBC no Brasil é o GBC Brasil, que já certificou 10 construções no país, entre elas a agência do Banco Real em Cotia e a Universidade da Petrobrás no Rio de Janeiro. Há 139 construções em processo de certificação. Um número ainda pequeno, mas que cresceu muito em 2009 (foram 92 novos pedidos), apesar da crise econômica mundial…

O processo de certificação analisa todo o ciclo de vida do empreendimento, da concepção ao descarte de resíduos, avaliando, por exemplo:

  • o uso de materiais reciclados ou de demolição
  • a incorporação de eficiências energéticas
  • os sistemas de reaproveitamento de água
  • a estrutura de coleta seletiva de lixo
  • se o terreno já pertence a uma área consolidada e bem servida por transporte público

 

green city

Kainet

Conforme a pontuação obtida em uma análise de 69 critérios o empreendimento pode ser classificado como (em ordem crescente de “sustentabilidade“):

  • Verde
  • Prata
  • Ouro
  • Platina

O professor da Escola Politécnica da USP, Cláudio Alencar em uma entrevista para a revista Brasil Sustentável do CEBDS, mencionou que “um empreendimento com critérios sustentáveis tem valorização de até 20% em sua revenda após 20 anos de uso… a redução do valor do condomínio chega a 30%”.

No Brasil percebe-se a necessidade de agregar aoLEED, questões sociais referentes a condições de trabalho na construção civil e ao impacto a biodiversidade. Ambas as questões estão sendo consideradas pelo GBC Brasil em um projeto de adaptação do LEED, que considera ainda, a redução de pontos por eficiência energética (já que a matriz energética brasileira é baseada principalmente na energia renovável das hidrelétricas).

Green Building

Nick Russil

Nos Estados Unidos várias cidades e até mesmo estados, já estão aprovando leis exigindo que todas as construções governamentais atendam aos padrões LEED. O novo World Trade Center e o novo Bank of America ambos em Nova York seguem os padrões LEED e talvez sejam os prédios de escritórios mais verdes de todo o mundo. Outros exemplos são:

  • A Nokia que construiu sua sede com materiais reciclados e uso de aquecimento e iluminação solar
  • As cidades de Masdar em Abu Dhabi (veja o vídeo em inglês: http://www.youtube.com/watch?v=ovly1dQGKH4)…
  • …e de Dongtan, próximo a Shanghai na China, ambas projetadas como cidades verdes

Finalmente, a construção civil pode seguir padrões internacionais de sustentabilidade. Certamente os benefícios para a sociedade e para o planeta Terra serão imensos, pois a construção civil é uma das indústrias que mais impacta na mudança climática. Vamos torcer para que os lucros sigam os benefícios e que o LEED torne-se o quanto antes uma realidade na construção civil, elevando sua qualificação no Brasil e no mundo.

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

  5 Responses to “LEED: sustentabilidade na construção civil”

  1. Apesar de tudo o LEED tem sofrido ataques por ter padrões muito baixos, aceitando, por exemplo, que construções certificadas com o nível ouro utilizem vários materiais tóxicos, que afetam negativamente a qualidade do ar e da água e consequentemente a saúde dos usuários.
    Além disso, é criticado pela falta de controle das construções certificadas, observou-se que muitas não realizam qualquer controle do nível de energia utilizada…
    Leia mais no estudo realizado por Environment and Human Health, Inc., e as análises do prof. John Wargo de Yale, em artigo da FasCompany em: http://www.fastcompany.com/1656162/are-leed-buildings-unhealthy?partner=ethonomics_newsletter

  2. Sueli,
    É importante salientar que não existe um “padrão internacional de sustentabilidade” e que considerar isto como um diferencial positivo é, exatamente, o grande problema do selo Leed. A história recente da arquitetura nos mostra que a internacionalização de processos nem sempre é a melhor saída, apesar de muito desejada. O Brasil, assim como vários outros países que se utilizam do Leed têm particularidades que não estão sendo englobadas no Leed ainda. A tropicalização é importantíssima para se obter uma real sustentabilidade – devemos “pensar global, agir local”. 😉

  3. Olá Aline,
    Primeiramente obrigada pela contribuição!
    Realmente concordo com você o LEED não pode ser considerado “o padrão”, mas mesmo assim é a certificação mais aplicada no mundo todo (são mais de 35 mil edificações em 91 países!). Além dos problemas de tropicalização que você indicou, o USGBC também está sendo atacado pela forma como certifica as construções (inclusive está sendo processado nos EUA).
    Bem se você se interessar em ler mais, veja os comentários de meu post: http://www.sustentabilidaderesultados.com.br/leed-sustentabilidade-na-construcao-civil/
    Obrigada e abraços,
    Sueli Chiozzotto

  4. solicito informações sobre profissionais ou instituições que emitem o leed aqui no Brasil.

  5. Magali, procure o Green Building Council no Brasil e boa sorte!
    Sueli Chiozzotto

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