Mar 242017
 

Em 2015, a MIT Sloan Management Review editou uma série de artigos sobre inovação orientada pela sustentabilidade (SOI, sustainability-oriented innovation), simplesmente espetacular!

Abaixo meus destaques dos artigos e algumas leituras adicionais para aprofundar o conhecimento:

  • RESTRIÇÕES GERAM INOVAÇÃO (conforme as crianças e mamães já sabem): a inovação é crítica para vencermos os desafios ambientais e sociais e a limitação de recursos da Terra. E para isso é preciso quebrar a barreira do “trade-off” ou seja, o entendimento de que para desenvolvermos produtos e serviços com impactos positivos (sociais e ambientais), é necessário largar resultados como lucro, desempenho, retorno de investimentos, etc. A Nike é mencionada como um exemplo de empresa que não seguiu esta linha e foi bem sucedida (e apesar da competição a Nike manterá o compromisso, leia +: FoxBusiness);
  • BOM, BONITO E BARATO: o SOI busca vencer problemas com soluções que sejam boas para a sociedade,  os consumidores e as empresas, são, portanto, inovações: tecnológicas (sejam produtos, processos ou sistemas de infraestrutura como estações de carga de carros), organizacionias (modelos de negócios ou de entregas como sistemas de compartilhamento) e/ou sociais/institucionais (sistemas de produção e consumo como legislações, campanhas de educação, etc);
  • TODOS POR UM: legisladores, empreendedores, ONGs, investidores, consumidores, academia, e muitos outros, tem um papel crucial no desenvolvimento, implementação e sucesso do SOI. Daí a importância da gestão dos múltiplos públicos de interesse (stakeholders, em inglês) para os inovadores;
  • UM DEGRAU POR VEZ: as pesquisas indicaram 3 degraus do SOI:
    1. SII (inovação baseada em informações de sustentabilidade), a mais comum nas empresas e que visa atender aos consumidores de acordo com suas “demandas” de sustentabilidade, exs.: Clorox Greenworks, programa Earthward da J&J (para saber+: Thinkstep), produtos Patagonia. Neste caso novos materiais, processos e designs se materializam enquanto criando diferenciais para os consumidores;
    2. SDI (inovação gerada pelo sustentabilidade), tem foco na solução de um problema público, exs: Sanergy (um incrível trabalho do MIT no Kenia: resultados), SunPower (energia renovável);
    3. SRI (inovação relevante para a sustentabilidade), trata-se de descobrir e alavancar benefícios sustentáveis após inovações, ex: Zipcar.
  • SUSTENTABILIDADE COMO ESTRATÉGIA:  a estratégia Ecomagination da GE avançou para o SOI com grande legitimidade entre seus públicos de interesse (investidores, consumidores, colaboradores, etc), aplicando por vezes SII, por outras SDI, e pelo jeito, com muito sucesso! Leia a matéria da Fortune: Ecomagination GE.
  • TEORIA E PRÁTICA ANDAM JUNTAS: SOI é complexo (gráfico do processo), pois, busca soluções inovadoras para problemas privados e também públicos (avaliando ciclo de vida e seus efeitos sistêmicos e buscando impactos positivos na sociedade e no meio ambiente), involvendo múltiplos públicos com interesses distintos, portanto, seu sucesso depende tanto de estudos (legislação, planos de negócio, análise de infraestrutura, etc.) como de práticas (projetos piloto, experimentações, avaliações, testes de mercado, etc). Um exemplo mencionado desta abordagem foi o desenvolvimento do SpoilerAlert, um app para reduzir o desperdício de comida na cidade;
  • O PAPEL DE CENTROS DE EXCELÊNCIA (CEs) E DAS COMUNIDADES DE PRÁTICA (CPs): sua adoção é a recomendação para acelerar o processo do SOI e atingir resultados positivos:
    1. CEs: conectar vários públicos de interesse, promover treinamentos, desenvolver conhecimentos, melhores práticas e resultados;
    2. CPs: promover o conhecimento junto a um grupo específico de interessados (corporações, por ex.), trazendo perspectivas diversas e estudando experimentos comuns.

Jason Jay e Marine Gerad do MIT também escreveram um grande trabalho sobre SOI, leia em: paper

Leia os artigos completos em: MIT SOI

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.
 March 24, 2017  Posted by on March 24, 2017 Casos, Empresas, Meio Ambiente Tagged with: , , , ,  Add comments

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