Jun 022011
 

empreendedorismo socialUma nova forma de organização com função social vem sendo testada e cada vez mais utilizada no exterior. Trata-se do “social enterprise” ou empreendimento social. O diferencial deste tipo de organização, refere-se principalmente a sua forma de atuação: apesar de buscar uma mudança social positiva (assemelhando-se a uma organização não-governamental ou ONG), trabalha de forma similar a uma empresa, investindo, gerenciando custos e gerando receitas com o objetivo de gerar lucros para suas ações sociais. Um empreendimento social pode começar como um negócio que gera lucros para fundações e/ou ações sociais.

O diferencial é que enquanto ONGs custeiam suas ações através de doações e fundos patrimoniais herdados, o empreendimento social utiliza-se dos lucros gerados pelo próprio negócio para patrociná-las.  Há alguns empreendimentos que chegam a gerar 80% de sua demanda financeira. De fato, algumas ONGs internacionais converteram-se em empreendimentos sociais devido à dificuldade em operacionalizar iniciativas sociais importantes dependendo somente de doações.

Fica claro, que a boa gestão financeira e estratégica é fator crítico de sucesso de um empreendimento social e, em geral, são contratados gestores profissionais para operacionalizá-lo.

Além disso, os empreendimentos sociais mais avançados tentam aplicar um modelo similar de independência e autonomia nas iniciativas sociais que desenvolvem. Por exemplo, ao invés de doar equipamentos sociais para comunidades carentes, o empreendimento social trabalha com estas comunidades empoderando-as (através de treinamentos para gestão e liderança), para identificar suas principais necessidades e encontrar maneiras sustentáveis de atendê-las. Garantindo assim, que as iniciativas tenham continuidade garantida por fluxos de receitas e recursos contínuos.

Um bom exemplo é a escola comunitária do PDI na Tailândia: nela os pais pagam a mensalidade através de trabalhos voluntários que beneficiam a escola e seu entorno. Os alunos, por sua vez, são responsáveis pela seleção e avaliação de professores, são encorajados a participarem dos comitês de compras e a desenharem seu próprio uniforme, entre outras atividades importantes para o funcionamento da escola.

Como disse o  diretor executivo da Iniciativa de Empreendimento Social do INSEAD, Hans Wahl: “sempre haverá espaço para a filantropia, mas cada vez mais vemos ONGs atuando de forma mais estratégica, engajada e focada em resultados”.

A MGM Partners concorda que somente o engajamento estratégico e o foco em resultados podem contribuir para a melhoria das sociedades e que, de fato, as melhores práticas de negócios podem contribuir muito para a obtenção de impactos sociais positivos. Negócios e ONGs podem ter muito em comum e sua aproximação com certeza vale a pena!

Leia mais sobre este tema no site do INSEAD (em inglês):http://knowledge.insead.edu/csr/social-entrepreneurship/creative-finance-funding-the-future-of-social-enterprise-1176

Share

Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

  2 Responses to “Empreendimento social: negócio ou ONG?”

  1. Olá! O link mencionado para “maiores informações” está quebrado. Você possui o link atualizado?

  2. Olá Mikael, finalmente atualizei o link. Obrigada pelo contato!

 Leave a Reply

(required)

(required)

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>