Oct 252010
 

Grameen DanoneA Danone é uma das maiores empresas da França, com faturamento de US$21 bilhões, e uma das maiores fabricantes mundiais de iogurte. Um encontro entre seu CEO, Franck Riboud e Muhammad Yunus (fundador do banco de micro-crédito Grameen Bank), foi a inspiração para a criação da fábrica de Bogra em Bangladesh e uma parceria entre as duas organizações a Grameen Danone.

Desde 2005 Bogra produz o iogurte Shakti Doi (enriquecido com 4 vitaminas e minerais e cujo nome significa energia em bengali), que proporciona 30% das necessidades diárias de crianças de baixa renda que em geral apresentam déficits destes nutrientes. O iogurte é produzido com leite de pequenas fazendas locais (muitas clientes do banco Grameen), garantinda a colocação da produção diária; é vendido porta-a-porta por senhoras de vilas da região e custa menos de R$0,20 por copo dependendo do tamanho e sabor.

Apesar de produzir apenas um centésimo do que uma planta típica da Danone faz, Bogra tem dado uma lição na matriz sobre o desenvolvimento de negócios para a base da pirâmide, com aprendizados desde desenvolvimento de produto até o desenho da fábrica. Por exemplo:

  • A inclusão de ferro no produto veio da parceria com uma ONG. O novo iogurte usa um tipo de ferro que não reage com o leite e que foi adotado em outras partes do mundo, em produtos como Densia e Activia
  • Pequenos fazendeiros usam enzimas para manter o leite fresco, pois nem sempre há acesso a refrigeração
  •  A fábrica é menor, mais simples e barata, mas perfeita para o novo produto. Facilita a vida dos trabalhadores que não precisam ser tão capacitados sendo possível utilizar a mão de obra local, que também é mais barata
  • Devido a inovações no processo de fermentação a fábrica tem um tanque a menos
  • Há estratégias de marketing direto, pois enfermeiras explicam os benefícios nutricionais do produto através do país, mas as vendas são calcadas em propagandas na TV, onde o próprio Muhammad Yunus recomenda o produto

A fábrica de Bogra deve atingir break-even ou até gerar lucros, mas o plano é reinvestir em negócios inclusivos similares.

Certamente, o desafio já valeu a pena, mas além disso, a Danone tem contribuído para o desenvolvimento de crianças de baixa renda. Parabéns!

Veja um vídeo recente onde o prêmio Nobel Muhammad Yunus conta sobre seu encontro: http://www.youtube.com/watch?v=DRfyErCswHw

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

  One Response to “Caso: Danone em Bangladesh”

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