Apr 202017
 

… Existem e não são poucas — uma série do MIT Sloan Management Review as explora detalhadamente: são táticas criadas para gerar abundância, ou seja, um ciclo de atividade virtuoso que simultaneamente reduz riscos, corta custos e aumenta vendas através da solução de questões sociais, fortalecimento das comunidades, eliminação de resíduos e recuperação do meio ambiente. Veja o resumo:

 

Tática 
Definição
Exemplos
Resíduo=Comida Usar resíduo como recurso Nine Dragons Paper, Lanza Tech, Staples
Biomimética Aprender soluções com a natureza Terracycle, Bullet Train, Velcro
Desenvolver capital natural Recuperar o meio ambiente Chiplote, Bavaria, Samso Energy Academy
Produtividade radical de recursos Reduzir matérias-primas significantemente GE, Unilever, Walmart
Economia compartilhada Compartilhamento de pessoa para pessoa Airbnb, TaskRabbit, RelayRides
Economia de soluções Prover soluções ao invés de produtos Rent the runway, Sunrun, Google services
Desagregação Racionalizando produtos e serviços Minute Clinic, M-Pesa, Springboard Collaborative
Base da pirâmide Servir pessoas que vivem com US$2,50/dia ou menos Biolite, Humanure Power, Switchboard
Micro-empresa Estabelecer pequenos negócios Soccket, Liter of Light, Grameen
Crowding (aglomeração) Financiamento comunitário ou fonte de idéias Kickstarter, Wikipedia, Fiat Mio
Cadeia de serviços lucrativa Funcionários felizes criam clientes fiéis e crescimento lucrativo Zappos!, Whole Foods Market, Kimpton Hotels
Troca colaborativa Compra com moedas alternativas Diyalo Foundation, Berkshares, TimeBanks
Marketing regenerativo Resolver problemas com marketing UTEC, LLBean, 20th Century Fox
Investimento de impacto Buscar retornos financeiros, sociais e para o meio ambiente Collaborative Fund, Mosaic, Root Capital
Novas entidades Alinhar estruturação legal e valores B Corps, Cooperatives, L3C

 

Enriquecedor e muito útil, mas com certeza só produzirá resultados quando utilizadas junto à uma estratégia para a sustentabilidade que por sua vez atende às questões de materialidade do negócio. A empresa lucra e os públicos de interesse agradecem, enquanto sociedade e meio ambiente prosperam. Este é o ideal!

Leia o artigo do MIT em inglês (que detalha um pouco duas destas ferramentas): Sustainable Tactics

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Mar 242017
 

Em 2015, a MIT Sloan Management Review editou uma série de artigos sobre inovação orientada pela sustentabilidade (SOI, sustainability-oriented innovation), simplesmente espetacular!

Abaixo meus destaques dos artigos e algumas leituras adicionais para aprofundar o conhecimento:

  • RESTRIÇÕES GERAM INOVAÇÃO (conforme as crianças e mamães já sabem): a inovação é crítica para vencermos os desafios ambientais e sociais e a limitação de recursos da Terra. E para isso é preciso quebrar a barreira do “trade-off” ou seja, o entendimento de que para desenvolvermos produtos e serviços com impactos positivos (sociais e ambientais), é necessário largar resultados como lucro, desempenho, retorno de investimentos, etc. A Nike é mencionada como um exemplo de empresa que não seguiu esta linha e foi bem sucedida (e apesar da competição a Nike manterá o compromisso, leia +: FoxBusiness);
  • BOM, BONITO E BARATO: o SOI busca vencer problemas com soluções que sejam boas para a sociedade,  os consumidores e as empresas, são, portanto, inovações: tecnológicas (sejam produtos, processos ou sistemas de infraestrutura como estações de carga de carros), organizacionias (modelos de negócios ou de entregas como sistemas de compartilhamento) e/ou sociais/institucionais (sistemas de produção e consumo como legislações, campanhas de educação, etc);
  • TODOS POR UM: legisladores, empreendedores, ONGs, investidores, consumidores, academia, e muitos outros, tem um papel crucial no desenvolvimento, implementação e sucesso do SOI. Daí a importância da gestão dos múltiplos públicos de interesse (stakeholders, em inglês) para os inovadores;
  • UM DEGRAU POR VEZ: as pesquisas indicaram 3 degraus do SOI:
    1. SII (inovação baseada em informações de sustentabilidade), a mais comum nas empresas e que visa atender aos consumidores de acordo com suas “demandas” de sustentabilidade, exs.: Clorox Greenworks, programa Earthward da J&J (para saber+: Thinkstep), produtos Patagonia. Neste caso novos materiais, processos e designs se materializam enquanto criando diferenciais para os consumidores;
    2. SDI (inovação gerada pelo sustentabilidade), tem foco na solução de um problema público, exs: Sanergy (um incrível trabalho do MIT no Kenia: resultados), SunPower (energia renovável);
    3. SRI (inovação relevante para a sustentabilidade), trata-se de descobrir e alavancar benefícios sustentáveis após inovações, ex: Zipcar.
  • SUSTENTABILIDADE COMO ESTRATÉGIA:  a estratégia Ecomagination da GE avançou para o SOI com grande legitimidade entre seus públicos de interesse (investidores, consumidores, colaboradores, etc), aplicando por vezes SII, por outras SDI, e pelo jeito, com muito sucesso! Leia a matéria da Fortune: Ecomagination GE.
  • TEORIA E PRÁTICA ANDAM JUNTAS: SOI é complexo (gráfico do processo), pois, busca soluções inovadoras para problemas privados e também públicos (avaliando ciclo de vida e seus efeitos sistêmicos e buscando impactos positivos na sociedade e no meio ambiente), involvendo múltiplos públicos com interesses distintos, portanto, seu sucesso depende tanto de estudos (legislação, planos de negócio, análise de infraestrutura, etc.) como de práticas (projetos piloto, experimentações, avaliações, testes de mercado, etc). Um exemplo mencionado desta abordagem foi o desenvolvimento do SpoilerAlert, um app para reduzir o desperdício de comida na cidade;
  • O PAPEL DE CENTROS DE EXCELÊNCIA (CEs) E DAS COMUNIDADES DE PRÁTICA (CPs): sua adoção é a recomendação para acelerar o processo do SOI e atingir resultados positivos:
    1. CEs: conectar vários públicos de interesse, promover treinamentos, desenvolver conhecimentos, melhores práticas e resultados;
    2. CPs: promover o conhecimento junto a um grupo específico de interessados (corporações, por ex.), trazendo perspectivas diversas e estudando experimentos comuns.

Jason Jay e Marine Gerad do MIT também escreveram um grande trabalho sobre SOI, leia em: paper

Leia os artigos completos em: MIT SOI

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Mar 062017
 

Achei este estudo da Deloitte LLP sobre o futuro da mobilidade maravilhoso! Veja um dos cenários futuros sugeridos e imaginem todas as outras milhares de consequências (positivas!) para a vida nas cidades:

  • Os veículos não colidem mais, pois,  a operação autônoma elimina o erro humano (que causa quase todos os acidentes);
  • Graças aos sensores que reduzem espaço entre os veículos e aos sistemas de navegação, congestionamentos tornam-se raridade;
  • Queda no consumo de energia, pois, os carros serão mais leves e funcionarão com motores mais compactos, eficientes e ecologicamente corretos;
  • Queda de custos de viagens em quase 70% devido às maiores taxas de utilização dos ativos;
  • A infraestrutura será financiada pelo pagamento de taxas sobre seu uso real, já que veículos conectados permitirão o cálculo preciso e pessoal do uso das vias;
  • Estacionamentos desaparecerão devido ao aumento da utilização de carros autônomos e de sistemas de compartilhamento de ativos (veículos);
  • A polícia não controlará mais o trânsito, pois, veículos autônomos serão programados para não exceder limites de velocidades e não violar as leis;
  • As entregas serão realizadas mais rapidamente e terão custos menores devido às redes autônomas de longa distância para caminhões que operarão por períodos mais extensos e cobrirão longas distâncias com custos menores;
  • O transporte multimodal se tornará padrão devido à melhor operabilidade entre diferentes sistemas de transporte e a existência de preços fixos e sistemas únicos de pagamento.

Imagino este futuro onde inovação, novos modelos de negócio e compartilhamento de ativos atuam juntos e promovem o desenvolvimento sustentável com eco-eficiência, consumo colaborativo, baixo carbono, e, portanto, redução dos gases efeito estufa. Trazendo ainda, redução de custos, maior segurança, maior eficiência e menos stress para todos. Nada mal para o futuro da mobilidade não é mesmo? Isso é sustentabilidade!!!

Leia mais (em inglês): Deloitte

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Feb 072017
 

Em 2015, Danone e Mars Inc. criaram um fundo de investimento para ajudar as empresas a comprarem matérias-primas de pequenos agricultores, enquanto promovendo a sustentabilidade e impactos sociais e econômicos positivos em larga escala. O Livelihoods Fund for Family Farming (Livelihoods 3F), sediado na França, tem 3 grandes linhas de atuação:

  • Ajudar empresas na compra de matérias-primas de pequenos agricultores de maneira sustentável: cadeias de suprimento sustentáveis;
  • Alavancar a economia de créditos de carbono para melhorar a vida de comunidades rurais e contribuir para a sustentabilidade das empresas;
  • Criar produtos que contribuam para a mitigação da mudança climática: ecosistemas, água e criação de valor para o carbono.

De acordo com Bernard Giraud, presidente e co-fundador, ” … o Livelihoods 3F é baseado na convicção de que agricultura sustentável, mudança climática e pobreza estão interelacionados.”

Atualmente, o Livelihoods 3F conta também com investimento de Firmenich e Veolia e são desenvolvidos 9 projetos (Ásia, 3 América Latina, 2 e África, 4):

  1. Peru: enfrentando o desflorestamento e apoiando 30.000 famílias nos Andes;
  2. Guatemala: preservação da biodiversidade e ciclo do cardamomo sustentável;
  3. Kenia (Monte Elgon): sistema agroflorestal e ciclo de leite sustentável com 30.000 agricultores;
  4. Kenia (Embu): mitigação do desflorestamento através de sistema agroflorestal e energia rural;
  5. Burkina Faso: lutando contra desertificação e aumentando segurança alimentar com 30.000 famílias;
  6. Senegal: recuperação de mangue;
  7. India (Sundarbans): proteção de comunidades através de 16 milhões de árvores de mangue;
  8. India (Araku): transformando terras degradadas em florestas funcionais com tribos marginalizadas;
  9. Indonésia: revitalização de vilas nos manguezais através de pesca e novos negócios.

O plano inicial era investir 120 milhões de euros em 10 anos, atingindo 200 mil agricultores e 2 milhões de pessoas agregando valor às suas produções de maneira sustentável.

O foco nos cultivos de cacau, baunilha, leite, açucar, óleo de palma, menta e carragenano, matérias-primas que em grande parte são produzidas por agricultores familiares com poucos recursos. A água recurso básico de produção e elemento impactado pelos cultivos também faz parte do grupo de projetos.

Afinal, são 500 milhões de agricultores familiares que produzem 70% do alimento no mundo (dominando mercados de cacau, café e borracha). Por outro, lado estas comunidades necessitam lidar com degradação ambiental, pobreza e baixa produtividade e neste sentido fundos de investimento podem apoiar trazendo tecnologias, recursos e oportunidades de negócio. 

Veja mais no link (em inglês): Livelihoods

Os primeiros projetos iniciaram em 2016 e talvez ainda seja cedo para uma avalição de resultados mas torcemos para que esta excelente iniciativa empresarial prospere e contribua para um futuro mais justo e sustentável. Se você tiver notícias sobre estes projetos, divida os resultados conosco! Boas práticas merecem ser compartilhadas e falhas servem de aprendizados para projetos futuros.

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Jan 302017
 

Em 2015, um estudo da PwC estimou que as receitas da economia colaborativa globais atingirão US$335 bilhões (de US$15 bilhões em 2014). Afinal, já é parte da nossa realidade avaliar se vale a pena ter ou se é mais econômico e prático alugar produtos e serviços que se tornam cada vez mais disponíveis (aluguéis de carros, compartilhamento de bikes, locações de férias, imóveis com lavanderia compartilhada, serviços de conserto e manutenção, hortas comunitárias, …).

O foco é extrair valor de ativos que não estão sendo totalmente explorados por seus proprietários, mas há outros benefícios potenciais associados, como a redução de:

  • consumo (tanto de recursos naturais como do próprio consumo individual)
  • custos
  • impacto ambiental.

A oferta da economia compartilhada é facilitada pela Internet e várias empresas de produtos e serviços tradicionais estão oferecendo este tipo de solução aos clientes, pois, identificam não somente uma fonte de lucros, mas também de mitigação de riscos. De fato, as pesquisas indicam que a escolha por serviços e produtos compartilhados tem foco em questões econômicas e não em questões ambientais.

Universidade de Innsbruck apresentou um estudo que indica como as empresas podem aproveitar este interesse:

  1. vender o uso de um produto ao invés de vender o próprio produto (exs.: Hilti Group, car2go da Daimler e Europcar, DriveNow daBMW e Mu da Peugeot)
  2. apoiar consumidores na revenda de produtos e serviços (exs.: Ikea, Patagonia);
  3. explorar recursos e capacidades ociosas através do compartilhamento de ativos (exs.: Maschinenring, escritórios compartilhados, como LiquidSpace);
  4. prover serviços de reparo e manutenção (exs.: FedEx TechConnect, Best Buy Geek Squad);
  5. usar o consumo colaborativo para atingir novos clientes (exs.: festas de trocas de itens usados como roupas; promoção da Pepsi com a Taskrabbit);
  6. desenvolver novos modelos de negócio para facilitar o consumo colaborativo (ex.: The Wine Foundry).

Algumas empresas brasileiras também já atuam na linha da economia compartilhada, mas como exemplificado há muito o que explorar e avançar. A inovação na economia compartilhada é agora e os benefícios para os negócios podem incluir aumento de reputação, de visibilidade, de mercado e de lucros, portanto, vale a pena explorar.

Nós da MGM Partners podemos ajudá-lo nesta empreitada, entre em contato!

Leia o artigo completo na MIT Sloan Review Magazine de dez/15: “Adapting to the Sharing Economy”

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Jan 202017
 

Há muito se estuda o impacto da sustentabilidade corporativa sobre os resultados financeiros e competitivos da empresas, e de fato, há indícios de que estes são positivos.

Não é à toa que inúmeras empresas no Brasil e no mundo investem em produtos para reduzir sua pegada ecológica, desenvolvem modelos de negócios, serviços e produtos sustentáveis, introduzem processos de governança e transparência, aplicam a redução de custos focada na sustentabilidade e buscam a redução de riscos (devido à potenciais impactos negativos de extração, produção, distribuição e uso de produtos e serviços), para mencionar apenas algumas iniciativas empresarias em busca dos louros da sustentabilidade.

Nem sempre é óbvio ligar causa a efeito, mas, de fato o ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial), criado pela BM&FBOVESPA em 2005 (inicialmente financiado pelo International Finance Corporation, IFC — órgão ligado ao Banco Mundial — seguindo metodologia do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas, FGV-EAESP), apresentou rentabilidade acumulada de +145,4% vs. 94,1% do Ibovespa (base: 22/nov/16) e volatidade quase 3% menor, segundo dados da BM&FBOVESPA.

Lembrando que o ISE é a ferramenta de análise comparativa de desempenho de empresas listadas na Bolsa sob o aspecto da sustentabilidade corporativa, considerando uma avaliação quantitativa (respostas do questionário) e qualitativa (envio de documentos comprobatórios de forma amostral), referentes as seguintes respostas:

  1. Ambientais
  2. Sociais
  3. Econômico-Financeiras
  4. Governança Corporativa
  5. Gerais
  6. Natureza do Produto
  7. Mudanças Climáticas

Para 2017, 200 empresas com as ações mais líquidas da Bolsa foram convidadas à participar e somente 34 farão parte do índice (com 38 ações), e é importante mencionar que este foi o 1o. ano com questões sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Leia mais em: ISE BM&FBOVESPA

Mundo afora alguns dos indicadores mais conhecidos e que atraem cada vez mais investidores são: o Dow Jones Sustainability Index e o FTSE for Good

Portanto, se sua empresa está na busca por resultados objetivos com relação à sustentabilidade, talvez valha a pena considerar como objeto de análise as metodologias envolvidas nestes índices e os resultados das empresas participantes.

Conte conosco da MGM Partners para analisar, avaliar, melhorar, decidir e implementar estratégias onde a sustentabilidade cria valor para seu negócio e seus públicos de interesse, pois, temos certeza que este é um caminho sem volta. Entre em contato!

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Dec 082016
 

Há mais de 20 anos o cálculo do ciclo de vida dos produtos vem sendo usado como ferramenta para a gestão da sustentabilidade. Empresas inovadoras como Apple e Unilever, entre outras, o usam intensamente, tanto, para efeito de comparação dos impactos ciclo de vida dos produtos (calculando-se seus efeitos no meio ambiente, saúde e utilização de recursos, …, desde sua concepção, à produção, uso e disposição final), quanto para descobrir oportunidades de inovação em processos, produtos ou modelos de negócio.

Mas, como menciona Gregory Unruh autor do artigo sobre o tema na MIT Sloan Management´s Review (Gaining a holistic view of product life cycles offers potential for innovation), este desenvolvimento é complexo e custoso. Porém, Mr. Unruh destaca que se sua empresa não estiver realizando este cálculo alguém está!  Portanto, é melhor investir nisso. Mr. Unruh menciona alguns exemplos dos benefícios desta análise:

  • A Siemens descobriu que suas lâmpadas tinham maior impacto na fase de uso e, portanto, investiu na concepção de produtos mais eficientes;
  • A indústria de microchips identificou impactos de produtos tóxicos na produção e os substituiram por suco de limão;
  • Vários produtores informam impactos aos consumidores, que muitas vezes preferem (e até pagam mais!), por produtos que demonstram menos impactos;
  • A Levis Strauss usa este método para conceber sua linha de Dockers WellThread avaliando desde o design, o impacto dos produtos no meio ambiente, usuários e trabalhadores envolvidos;
  • A SC Johnson usa o cálculo para identificar matérias-primas com menor impacto, avaliando por exemplo, sua toxicidade;
  • A SABIC usa para resolver questões de sustentabilidade junto aos clientes.

Inclusive há um livro grátis sobre o tema (em inglês) de H. Scott Matthews, Chris T. Hendrickson, and Deanna H. Matthews, professores da Carnegie Mellon University, veja em: LCA

Certamente, este caminho é complexo, mas certamente trará benefícios e avanços que valem a pena!

 

 

 

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Aug 142015
 

Desde sua fundação em 1983, a Stonyfield Farms, fabricante de iogurte orgânico, caiu no gosto do americano e atraiu atenção do Grupo Danone (hoje dona de 85% de suas ações), tornando-se a 3a. colocada em vendas de iogurte e a 1a. em vendas de iogurtes orgânicos nos EUA.

Dentre as várias iniciativas que visam criar uma rede colaborativa buscando a sustentabilidade com todas as áreas da empresa, destacam-se:

  • Lucros para o Planeta” programa que doa 10% dos lucros da empresa para causas relacionadas à proteção do meio ambiente;
  • O Clima importa” que analisa e compara +150 grandes empresas americanas (de 16 setores), no que se refere a iniciativas de mudança climática;
  • E um dos grandes sucessos com colaboradores, consumidores e mídia, o “SourceMap” é um website que permite que as pessoas conheçam de onde vem os ingredientes utilizados nos produtos Stonyfield (com fotos, histórias e links para os fornecedores). Dica: não deixe de visitar este website, é genial!
  • Outro projeto de grande impacto é realizado em parceria com a Sustainable Food Lab, onde a associação de fornecedores de bananas da Costa Rica (que sofreu queda de margens e problemas nas entregas devido ao desinteresse dos processadores de purê de banana comprado pela Stonyfield), está recebendo apoio para desenvolver sua própria estrutura de processamento. Consequentemente, a associação obtém maiores margens e habilita-se para atingir outros clientes ao redor do mundo. Este projeto é de especial interesse do Grupo Danone, que quer levar a experiência se bem sucedida para outros fornecedores ao redor do mundo. De acordo com a Danone está iniciativa permitiria… estender as ligações da cadeia de valor e realmente começar a fazer algo poderoso para aumentar o dinheiro que volta para as comunidades onde fazemos negócios.”
  • Outra iniciativa importante é a parceria com empresas de embalagem, processamento e fornecedores de resina, entre outras, para solucionar a questão das embalagens, especialmente de materiais de difícil reciclagem.

Wood Turner, VP de Inovação em Sustentabilidade da Stonyfield, que compartilhou estas experiências em entrevista à MIT Sloan Managemente Review levantou outros pontos importantes.  Ele comentou sobre sua preocupação da falta de urgência das ações de sustentabilidade das empresas, que focam demais no engajamento de públicos de interesse e nos relatórios de sustentabilidade (ou seja, iniciativas relacionadas à descrição de processos), ao invés de buscarem resultados que impactem positivamente o negócio e a sociedade. Na visão do sr. Turner somente envolvendo os consumidores especialmente nos momentos de decisão de compra, haverá um real avanço nos temas relacionados à sustentabilidade.  … relatórios, auditorias e engajamento por trás da cena não trarão estes impactos, diz ele. Ele também acha que poucas empresas utilizam a sustentabilidade como base para uma estratégia realmente inovadora.

De fato, na MGM Partners temos o mesmo entendimento, enquanto o foco forem processos ao invés de resultados, poucos serão os avanços e pequenos os impactos positivos para colaboradores, sociedade e meio ambiente. Em nossa visão, a saída é utilizar os desafios da sustentabilidade para inspirar, implementar e medir resultados alinhados aos objetivos do negócio. A sustentabilidade tem o potencial para ser a mola inovadora de um futuro melhor.

Leia a entrevista completa em inglês em: entrevista

Leia mais sobre Danone / Stonyfield em inglês em: empresas

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Jan 132015
 

SharingO consumo colaborativo baseia-se em um conceito simples: alavancar valor de ativos que não estão sendo totalmente explorados por seus donos.  Um dos programas de pesquisa da University of Innsbruck  busca identificar modelos de negócio inovadores enquanto criando valor para a comunidade e dentro deste contexto estudou o compartilhamento de ativos.  Este estudo foi a base para o artigo do  MIT Sloan Management Review sobre o tema.  

Sem dúvida um conceito com menor foco no consumo e maior foco na troca tem um menor impacto nos recursos naturais, tornando-o um negócio que contribui para a sustentabilidade. Isso mesmo, este conceito é explorado como um negócio e, portanto, pode tornar-se uma oportunidade para empresas e investidores.

De acordo com o artigo, uma pesquisa da PricewaterhouseCoopers revelou que o mercado global de produtos e serviços compartilhados, ou de consumo colaborativo, poderá chegar a US$335 bilhões em 2025. Além disso, este mercado tem apresentado um rápido crescimento nos últimos anos.

De fato, o consumo colaborativo é um mercado que não deve ser subestimado pois atende à várias necessidades do consumidor como: conveniência, redução de gastos, menor impacto ambiental e até mesmo, o benefício do usar algo que potencialmente, está além de sua capacidade de compra. Além disso, é atraente para aqueles preocupados com o impacto do consumo no meio ambiente, e para pessoas que querem a criar, participar e/ou contribuir para experiências novas e gratificantes.

Há vários tipos de compartilhamento:

  • De produtos ou serviços adquiridos por uma empresa privada para uso por seus clientes;
  • Revenda, quando pessoas com interesse similares adquirem os produtos uma das outras;
  • Estilo de vida colaborativo onde tempo, espaço, dinheiro e/ou produtos e serviços são compartilhados por um grupo de pessoas, especialmente, via internet (por exemplo: compartilhamento de jardins e a oferta de serviços e consertos para residências). 

O estudo indicou que as empresas podem aproveitar (e tem aproveitado), deste novo mercado de várias maneiras, por exemplo:

  1. Vender a utilização do produto ao invés de sua posse:
    • O Hilti Group do país de Liechtenstein não somente vende como também aluga o uso de seus equipamentos, sistemas e serviços para construção. Essa gestão compartilhada ajuda a reduzir custos e manter os prazos das obras dos clientes. Mais ainda, através deste modelo de negócios inovador e baseado no consumo colaborativo, a empresa conseguiu alavancar novas receitas provindas do aluguel e gestão de equipamentos e ferramentas.
    • A Daimler em parceria com a Europcar criou em 2008 a car2go provendo alternativas de aluguel de veículos para estabelecimentos comerciais e pessoas físicas, que escolhem quando e quais veículos usar, pagando somente pelo período utilizado. O serviço de compartilhamento de carros começou na Alemanha e hoje está presente em mais de 29 cidades da Europa e da América do Norte, com mais de 800 mil membros.  Peugeot e BMW seguiram a tendência e também lançaram seus sistemas de compartilhamento de veículos, respectivamente o MU na França e o DriveNow (que começou em 2011  na Alemanha e atualmente também este presente em Londres e São Francisco).
    • A Avis, empresa de aluguel de automóveis, adquiriu a Zipcar, negócio criado há mais de dez anos para compartilhamento de carros. Atualmente, funciona em mais de 50 cidades da América do Norte e Europa e em mais de 100 universidades americanas.
  2. Apoiar consumidores na revenda de produtos:
    • Em 2010 a Ikea, empresa de móveis e utilidades, da Suécia, através de uma plataforma de internet criou um modelo de negócios para ajudar seus clientes a revender produtos Ikea usados. Apesar de ser um serviço grátis, a Ikea beneficia-se do apoio na destinação de seus produtos, reduzindo pelo menos inicialmente, o impacto ambiental do descarte. Além disso, a revenda abre espaço para a compra de novos produtos Ikea pelos clientes.
    • A Patagonia, empresa de roupas e acessórios americana, fez uma parceria com o eBay em 2011 para que os consumidores pudessem comprar e vender online produtos Patagonia usados . O novo modelo de atuação permitiu maior visibilidade da marca tanto na Internet como no mundo real com as peças revendidas. Além disso, há o potencial para redução de impacto ambiental. Mas, principalmente, a empresa demonstrou uma iniciativa  de reduzir o apelo de moda/consumo de seus produtos, contribuindo para a orientação de negócios com foco na sustentabilidade.
  3. Explorar recursos e capacidades não utilizadas:
    • Maschinenring, associação entre empresas florestais e relacionadas à agricultura, que permite o uso compartilhado de equipamentos, busca e compartilhamento de profissionais para fazendas e outros clientes e a oferta de serviços (paisagísticos, de limpeza de neve, de aquecimento, etc.). Este modelo permite a redução de custos de aquisição, a melhor utilização de mão-de-obra (inclusive provendo renda para fazendeiros e pequenos produtores rurais nos períodos de entressafra), e a obtenção de receitas com serviços especializados compartilhados por uma rede de associados;
    • LiquidSpace, este website oferece o compartilhamento de espaço de escritórios nos Estados Unidos, Austrália e Canadá, unindo a necessidade de donos de espaço de melhorar o aproveitamento de seus escritórios e reduzindo custos, e a de clientes que podem (e/ou precisam) trabalhar em escritórios próprios. Este modelo de negócios é viabilizado não somente pelos espaços disponíveis e por sua demanda, mas também pelo acesso a tecnologias móveis e sociais.
  4. Prover serviços de conserto e manutenção:
    • FedEx TechConnect oferece consertos de dispositivos eletrônicos baseado no expertise adquirido pela empresa para consertar equipamentos utilizados por seus próprios entregadores. O serviço pode ser realizado nas lojas FedEx e pelos entregadores regulares da empresa. Desta forma a FedEx capitalizou dois recursos disponíveis em um novo modelo de negócios sem grandes investimentos: expertise para consertar os equipamentos e recursos humanos capazes. O CEO desta unidade da FedEx estima que o negócio tem potencial para atingir US$15 bilhões.
    • Best Buy’s Geek Squad, o Geek Squad foi adquirido pela Best Buy em 2002 e através da oferta de serviços de assistência e reparos em produtos eletrônicos contribui, não somente, para os lucros da Best Buy (loja americana de eletrônicos), como também acaba promovendo a venda de novos equipamentos, upgrades e serviços. Além disso, a tranquilidade proporcionada aos clientes que compram na loja (devido ao acesso aos serviços do Geek Squad), potencialmente, contribui para maiores vendas.
  5. Usar o consumo colaborativo para atingir novos consumidores:
    • DM, uma farmácia austríaca, participou de festas de trocas de roupas e acessórios em Salzburg para oferecer a experimentação grátis de seus produtos de maquiagem. Neste caso o objetivo não foi a venda do produto em si, mas a aquisição de novos clientes, que simpatizassem com a ação da empresa (que incluiu marketing na internet e maquiadores profissionais na festa), e seus produtos. Além disso, a empresa teve maior visibilidade no campo da moda e ganhou interesse entre potenciais novos clientes.
  6. Desenvolver modelos de negócio inovadores desde a concepção:
    • The Wine Foundry, permite que amadores e profissionais produzam seu próprio vinho sem ter uma vinícola, provendo as ferramentas e assistência para a produção. A empresa oferece desde a seleção da uva até a confecção do rótulo. Este modelo totalmente inovador e desenvolvido do zero, permite que a empresa capitalize e materialize o desejo de seus clientes de tornarem-se produtores de vinho.

No Brasil, alguns modelos de consumo colaborativo já existem, os mais comuns (e, alguns, bem antigos), são: serviços de aluguel de bicicletas, incubadora de projetos, troca de livros via internet, troca / compra de roupas usadas (brechós), compartilhamento de espaços de escritório e couchsurfing (onde estadias residenciais são oferecidas gratuitamente para viajantes).

Porém, como vimos, há muito espaço para explorar a economia do compartilhamento enquanto alavancando receitas e lucros, ganhando visibilidade e novos clientes através de um modelo de negócio inovador e mais sustentável, baseado nos ativos existentes, no expertise do negócio e em novas tecnologias.

Leia o artigo completo da MIT Sloan Management Review em inglês em: Adapting to the sharing economy

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Dec 222014
 

Growth SustainabilityO mercado emergente representou 2/3 do crescimento do PIB mundial na última década e  responde por aproximadamente 40% da geração de produtos e serviços globalmente. Por outro lado, falta de infra-estrutura e instituições de proteção, pobreza, mão de obra pouca especializada e fraca governança, e outros desafios globais da sustentabilidade (como mudança climática, por exemplo), tem afetado o desenvolvimento dos negócios nestes mercados muito expressivamente, de acordo com estudo do Monitor Institute, The Fletcher School e Citi Foundation.

Desta maneira, as empresas não podem mais relegar contribuições para estes problemas, como responsabilidade de fundações e/ou gerentes de responsabilidade social / sustentabilidade. De fato, isso faz cada vez menos sentido, já que estes desafios afetam o negócio como um todo, tanto para empresas localizadas nos mercados emergentes, como para aquelas em que estes mercados fazem parte de sua estratégia de negócios.

Portanto, empresas líderes estão investindo em iniciativas que contribuem para a sustentabilidade e negócios inclusivos (ou SIBA, sustainable and inclusive business activities, em inglês), focando na redução dos desafios mencionados e na criação de valor social, ambiental e econômico. Apesar do SIBA ser relativamente novo, nem sempre ter um alinhamento estratégico com os negócios principais, ou ser aplicado em escala suficiente, merece ser estudado pois, seu impacto tem demonstrado resultados muito positivos. Para isso, o estudo analisou os resultados do SIBA em mais de 200 empresas e descobriu, entre outros, que:

  • As motivações para realização do SIBA vão de manter a posição competitiva, evitar danos e/ou faltas na cadeia de suprimentos, aumento de receitas e lealdade, até itens menos mencionados como diferenciação de produtos.
  • SIBA mais efetivos tem como características comuns: recuperação dos custos envolvidos, alinhamento com os negócios principais, habilidade de alavancar parcerias, resultados positivos para a sociedade / meio ambiente e permitem aplicações em maior escala.

O estudo também recomenda a melhor estratégia para aplicação do SIBA:

  1. Escolher problemas do contexto relacionados à estratégia principal do negócio, avaliando ambiente competitivo, riscos / oportunidades envolvidos;
  2. Inovar, criando espaço na organização para o SIBA na organização, com processos decisórios, incentivos, orçamentos e métricas específicos;
  3. Trabalhar parcerias estratégica e proativamente, cooperando com Governo e outras instituições que possam contribuir para a solução dos problemas foco do SIBA, alinhando incentivos e buscando soluções de ganha-ganha para as partes envolvidas, sociedade e meio-ambiente;
  4. Medir o valor criado, seja através de novas métricas ou de avaliações de resultados que consideram o feedback, por exemplo.

Novartis, Coca-Cola, Nike e Unilever foram algumas das empresas mencionadas com iniciativas SIBA.

Além de tudo, esta é mais uma forma das empresas contribuírem para o desenvolvimento sustentável.

Leia o estudo completo em: Growth for Good or Good for Growth?

 

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