Sueli Chiozzotto

Base da pirâmide América LatinaO jornal Greener Management International lançou um documento baseado em artigos latino-americanos cobrindo três temas relacionadas à base da pirâmide: fonte de mercado para a co-criação de novos negócios sustentáveis e o papel de empreendedores locais; o papel da tecnologia e da inovação e sustentabilidade.

O documento é dividido em oito capítulos:

  1. Prefácio: escrito pelo professor Stuart L. Hart da Universidade de Cornell / EUA
  2. Introdução: escrita por Miguel Ángel Gardetti do Centro para Estudo da Sustentabilidade Corporativa / Argentina
  3. Atitudes do consumidor do mercado da base da pirâmide no Brasil por Edgard Barki e Juracy Parente da Fundação Getúlio Vargas
  4. Seleção de parceiro para modelos de negócio inclusivos: o caso “Casa Melhor” por Christina Gradl e Aline Krämer do Instituto Emergia, Alemanha, e Fausto Amadigi, da Universidade Alcalá de Henares / Espanha
  5. A cadeia de reciclagem de garrafas PET: oportunidades para geração de emprego e renda por Luis Felipe Nascimento, Marcelo Trevisan, Paola S. Figueiró e Marilia B. Bossle da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
  6. Certificação da ISO14001 em mercados base da pirâmide: estudos de caso do Uruguai por Åsa Malmborg da Vectura Consulting AB, e Cecilia Mark-Herbert da Universidade de Ciências Agrícolas da Suécia
  7. Masisa Argentina e a evolução de sua estratégia para a base da pirâmide: uma alternativa para o processo de protocolo da base da pirâmide por Miguel Ángel Gardetti do Centro de Estudo para Sustentabilidade Corporativa e Guillermo D’Andrea, da Universidade Austral / Argentina
  8. Análise de duas corporações peruanas: uma abordagem para entender os consumidores da base da pirâmide por César Antúnez de Mayolo e Miguel Ferré, PAD, da Escola de Dirección da Universidade de Piura / Peru

No prefácio, o professor Hart, um dos maiores especialistas sobre o tema, observa que:

  • A América Latina tem se apresentado como terreno fértil para base da pirâmide, estratégia que busca ampliar e viabilizar oportunidades para comunidades pobres através do acesso a produtos e serviços
  • Há riscos caso as empresas escolham adaptar somente produtos e/ou serviços “pouco ou não sustentáveis”
  • É crucial investir em inovações para atender as necessidades da base da pirâmide de maneira sustentável. Por exemplo, através da incubação de tecnologias verdes como energia renovável, biomateriais, purificação de água no ponto de uso, tecnologia da informação sem fio, agricultura sustentável e nanotecnologia
  • É necessário evitar o “imperialismo corporativo”. Para isso é importante desenvolver produtos e serviços com a participação das pessoas da base da pirâmide (co-criação)
  • Deve-se acelerar e aumentar a escala dos negócios inclusivos, principalmente através de:
    • Criação de espaços nas organizações para que as iniciativas para a base da pirâmide se desenvolvam
    • Incubação e desenvolvimento de “ecossistemas” compostos por empreendedores, universidades, entidades financeiras e parceiros do governo que catalisem novos desenvolvimentos de negócio e encorajem a ampliação de estratégias para a base da pirâmide
    • Criação de políticas públicas inovadoras que acelerem a inovação sustentável, incluindo a criação de fundos para capitalizar investimentos em negócios experimentais no mundo todo

O prefácio e introdução são grátis, os outros capítulos estão disponíveis por 5 libras cada.

Leia todo o documento em: http://www.greenleaf-publishing.com/greenleaf/journaldetail.kmod?productid=3137&keycontentid=8
 
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Em maio de 2010, a Levis  lançou um blog chamado LS&CO Unzipped. No blog os artigos são escritos por executivos, funcionários, clientes e parceiros da empresa e tratam de temas como voluntariado, direitos das mulheres, água, impacto ambiental, mudança climática, pirataria, design e moradia sustentável, reciclagem, re-uso de produtos (incluindo, adivinhe: roupas). Esta estratégia de engajamento busca uma maior aproximação com clientes, parceiros e público em geral e permite que a empresa “se abra” um pouco mais para o mundo externo.

levis jeansAlém disso, no link para Sustentabilidade a Levis posiciona-se (através de textos, vídeos, fotos e estudo de caso) sobre:

Pessoas:

  • Direitos dos trabalhadores
  • AIDS e HIV
  • Igualdade
  • Engajamento da comunidade

Planeta:

  • Energia
  • Água
  • Químicos
  • Materiais

Produtos:

  • Materiais crus e de algodão
  • Fábricas
  • Fornecedores
  • Distribuição
  • Varejo
  • Re-uso
  • Ciclo de vida do jeans
  • Lista de fornecedores

A Levis é sediada em São Francisco nos Estados Unidos e tem duas fundações:

Vale a pena conhecer mais sobre a empresa e sua estratégia!

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book development as freedomEm 1999, Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia, lançou o livro “Development as Freedom” (Desenvolvimento como Liberdade).

Na época, Kofi Annan, secretário geral das Organizações das Nações Unidas (ONU) comentou: “… Mostrando que a qualidade de nossas vidas deveria ser medida não de acordo com nossas riquezas, mas com nossa liberdade, … [Amartya Sen] revolucionou a teoria e a prática do desenvolvimento”.

Inicialmente, o livro explora os significados de liberdade, desenvolvimento e os fundamentos da justiça, para então aprofundar-se em exemplos, casos e análises que demonstram que de fato, a liberdade pode representar muito melhor o nível de desenvolvimento de um povo do que seu nível de riqueza (mais comumente medido pelo PIB).

Para explicar a importância da informação e dos princípios adotados nas decisões de desenvolvimento, Amartya Sen usa o dilema de Annapurna que busca contratar, da maneira mais correta possível, alguém para limpar seu jardim e considera três candidatos (que executariam exatamente o mesmo trabalho, com a mesma qualidade ao mesmo preço):

  1. Dinu é o mais pobre e, considerando que não há nada mais importante de ajudar aos pobres, ele seria a contratação correta -> princípio 1: igualdade econômica
  2. Bishanno empobreceu recentemente e é o mais triste. Portanto, Annapurna considera que ele é quem ficaria mais feliz com o trabalho (já que Dinu e o outro candidato já estão mais acostumados com a pobreza) -> princípio 2: utilidade (neste caso, a felicidade)
  3. Por outro lado, Rogini usaria o dinheiro para curar-se de uma doença crônica e, apesar de não ser ter tão pobre quanto os outros, é o que mais se beneficiaria da oportunidade -> princípio 3: liberdade. A doença limita a liberdade de Rogini em ter uma melhor uma qualidade de vida livre da doença

Baseado nesta parábola, Amartya Sen explica que, em geral, as teorias econômicas e de desenvolvimento baseiam-se nos princípios 1 e 2, e portanto, não consideram que a limitação das liberdades dos indivíduos devido a falta de justiça, de democracia, de mecanismos de mercado (para haver compartilhamento de benefícios e oportunidades), de direitos humanos e de escolha, de igualdade de gênero e da falta de capacidades humanas devido à pobreza (tanto, a endêmica persistente, como a momentânea decorrente, por exemplo, de epidemias, fome, acidentes climáticos e mudanças de regime)também limitam o desenvolvimento.

Amartya Sen elabora sobre o capital humano (que trata das habilidades do homem para produzir) vs. a importância das capacidades humanas, pois estas são relevantes para:

  • Atingir o próprio bem-estar e liberdade
  • Influenciar mudanças sociais
  • Influenciar a produção econômica

Além disso, Amartya Sen reforça que para se superar a pobreza e, portanto, permitir a todos o pleno uso de suas liberdades e capacidades, são essenciais:

  • Infra-estrutura adequada, especialmente, em educação, saúde e distribuição de terras
  • Regimes democráticos
  • E a garantia dos direitos das mulheres, refletindo diretamente na capacidade de promover a sobrevivência das crianças e de reduzir as taxas de fertilidade. Fatores que impactam na prosperidade econômica, mas também, na liberdade e na qualidade de vida das mulheres, especialmente as mais jovens (que tão cedo já precisam prover aos filhos…)

O livro é brilhante e impossível de descrever, portanto, não deixe de ler:

Development as Freedom, de Amartya Sen, editora Anchor Books, 1999, USA.
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Melhor sustentabilidadeA revista Fast Company  lançou uma série divertida e interessante escrita pelo jornalista Ariel Schwartz, baseada no livro HIP Investor de R. Paul Herman (editado pela Wiley & Sons).

HIP significa impacto humano + lucro = os novos fundamentos dos investimentos, e foi criada pela HIP Investor Inc. uma empresa de investimentos para gestores, indivíduos e fundações com portfólios de investimento baseados nesta nova fórmula que considera como a sustentabilidade direciona o valor dos negócios, analisando itens como: práticas de gestão, saúde, igualdade, geração de valor, transparência e retorno financeiro, por exemplo.

Apesar das falhas (muitas vezes grandes) incorridas pelas empresas analisadas, a Fast Company permite que você analise os comparativos entre as empresas e descubra quem a revista considera mais sustentável. Desde abril de 2010 já foram comparadas várias empresas, por exemplo:

  • Os gigantes do varejo americano Walmart e Target com vitória do Walmart, especialmente devido à sua iniciativa de criação de um Conselho (formado por 4 gigantes varejistas, 38 indústrias e 9 universidades) para o desenvolvimento de um padrão para classificação de produtos conforme seu nível de sustentabilidade, o “green product-label
  • Na disputa entre Coca-Cola e Pepsico, quem levou a melhor foi a Pepsico. Apesar das críticas quanto ao uso de aqüíferos em áreas com limitações de água, a empresa tomou a liderança devido a adoção de metas agressivas relacionadas à redução do uso de água (20%), combustíveis (25%) e eletricidade (25%), no período entre 2006 e 2015, e a eliminação do uso de HFCs das máquinas que dispensam refrigerante
  • Entre McDonald’s e Starbucks. O Starbucks foi considerado o melhor em várias áreas. A empresa tem como metas até 2015: utilizar somente café desenvolvido de maneira ética e com responsabilidade sócio-ambiental e utilizar 100% de copos reutilizáveis e recicláveis. Além disso, o Starbucks tem pilotos para prevenir o desflorestamento (Sumatra, Indonésia e México), e é reconhecida por seu plano de saúde para funcionários
  • Na análise de Microsoft e Apple, a Apple perdeu devido à falta de interesse em lançar um relatório completo de responsabilidade social e a definição de metas (para redução de gases efeito estufa e maior eficiência energética, por exemplo)
  •  Entre Procter & Gamble e Colgate-Palmolive, a Procter & Gamble levou a melhor devido, entre outras iniciativas, a seus objetivos para que em 2012 venda US$20 bilhões em produtos de menor impacto ambiental, tenha reduzido em 20% a emissão de CO2 e outros resíduos e o uso de energia e água. Além disso, pretende salvar 20 mil vidas entregando 4 bilhões de litros de água limpa através de seu programa “Children’s Safe Drinking Water
  • As empresas químicas globais Dow e Dupont empataram na análise de Fast Company. Ambas têm várias metas para sustentabilidade e algumas áreas de melhoria necessárias
  • As empresas de petróleo Chevron e ExxonMobil: apesar de ser uma análise difícil, a Fast Company indica a Chevron como a mais sustentável, principalmente devido a seus investimentos em energias alternativas (US$3,8 bilhões), incluindo fontes de energia renováveis, mais eficientes e baseadas em novas tecnologias.

Portanto, fica claro que a adoção e a publicação de metas para reduzir impactos negativos, o engajamento de stakeholders e investimentos em áreas que beneficiam a sociedade rendem pontos na arena da sustentabilidade!

Leia mais em:  http://www.fastcompany.com/tag/hip-investor
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WBCSD measuring impactEm 2008 o Conselho Mundial de Negócios para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) lançou uma metodologia e um documento com estudos de caso para que as empresas identifiquem sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade e estejam melhor informadas para a tomada de decisões referentes a investimentos operacionais e de longo prazo. Este trabalho permite que as empresas:

  • Desenvolvam sua licença para operar
  • Melhorem a qualidade de engajamento com seus públicos de interesse (stakeholders)
  • Gerenciem risco
  • Identifiquem suas contribuições para a sociedade

A metodologia “Measuring Impact Framework Methodology” permite que as empresas avaliem e gerenciem seus impactos na sociedade de acordo com sua estratégia e contexto de negócios.

O documento “Beyond the Bottom Line” apresenta a argumentação para medir impactos e apresenta casos reais que serviram de base para a metodologia.

O trabalho foi desenvolvido com o apoio de 20 empresas pertencentes ao WBCSD, revisado por 15 especialistas externos e assinado em conjunto com a Corporação Financeira Internacional (IFC).

Clique nos links acima para baixar os arquivos completos. Mais detalhes no site do WBCSD: http://www.wbcsd.org/templates/TemplateWBCSD5/layout.asp?type=p&MenuId=MTU3Mw
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Nestle base da piramideEm junho a Nestlé começou a oferecer um novo serviço na região amazônica, um barco-supermercado com 100 m2 vende 300 produtos Nestlé diretamente para os quase 800 mil ribeirinhos de 18 regiões nas margens dos rios Pará e Xingu. O investimento foi de R$1 milhão em produtos e parcerias com fornecedores locais.

A aposta da empresa é que nos próximos 10 anos quase um bilhão de pessoas sairão da pobreza e poderão comprar seus produtos no mundo todo.  No Brasil, desde 2001, a empresa tem investido na venda direta em favelas (através de quase 300 vendedoras destas comunidades), na redução de embalagens e na criação de produtos específicos (adicionados de ferro, zinco e vitamina A, por exemplo) para as demandas das populações de baixa renda. No total a Nestlé oferece 3950 produtos posicionados para o segmento da baixa renda.  

O Bradesco  também tem investido na região amazônica oferecendo serviços bancários no rio Solimões e conseguiu 700 clientes em 6 meses.

Ofertas para a base da pirâmide estão tornando-se uma oportunidade de negócios e se aliadas a produtos de qualidade, preços justos e, especialmente, oportunidades de melhor saúde e educação para os clientes, tem um potencial imenso para melhorar a vida de populações de baixa renda.

Leia mais em sobre este novo sistema de distribuição da Nestlé em: http://www.nestle.com.br/site/novidades/acontecehome/supermercado_flutuante_nestle.aspx

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MPESA Safaricom KenyaA operadora de celulares Safaricom  em parceria com a Vodafone  provê um serviço de transferência de dinheiro pelo celular que esta revolucionando a vida de milhares de pessoas no Quênia, primeiro país do mundo a oferecer o serviço. O serviço chamado M-PESA (m=móvel e pesa=dinheiro em suáli) permite que quenianos transfiram dinheiro entre vilas distantes, paguem contas sem ir ao banco e realizem outros tipos de pagamentos e compras pelo celular sem precisarem ter conta em banco.

O serviço (que funciona em aparelhos pré e pós pagos), já é utilizado por 9,5 milhões de pessoas no Quênia (23% da população), as transferências representam 11% do PIB. Mais ainda, o  M-PESA inspirou mais de 60 serviços similares no mundo todo. Por exemplo, em junho de 2010, a Fundação Bill & Melinda Gates  em parceria com a USAID (Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional) , lançaram um incentivo de US$10 milhões para criar um serviço similar no Haiti e facilitar a entrega de dinheiro das agências humanitárias para as vitimas do terremoto. A Fundação tem focado na redução de pobreza através de serviços financeiros e o M-PESA é um caso de sucesso com este potencial, leia mais em: http://www.gatesfoundation.org/financialservicesforthepoor/Pages/financial-services-for-the-poor-frequently-asked-questions.aspx#top

O serviço funciona através do cadastramento de pequenos varejos (vendedores de créditos para celular), para tornarem-se agentes financeiros. Os agentes recebem dinheiro de um cliente e usam o M-PESA para realizar a transferência móvel para outro agente em outra localidade que paga ao recebedor conforme combinado. Enquanto o Quênia tem 840 agências bancárias já conta com quase 18 mil agentes M-PESA, que por sua vez, gerenciam quase 100 transações por dia.

Através do M-Kheso, Safaricom e Equity também oferecem micro-crédito , seguro contra acidentes e poupança de pequenos valores aos usuários. Além disso, em novembro de 2009, Safaricom, Vodafone, Western Union, Provident Capital Transfers e KenTv lançaram um novo serviço permitindo transferências internacionais entre o Reino Unido e o Quênia.

A transferência de dinheiro virtual é baseada em tecnologia, marketing, parcerias com bancos e apoio dos setores públicos e demanda uma gestão cuidadosa e inteligente dos agentes que recebem e distribuem dinheiro de acordo com o serviço celular. Só assim, as demandas dos clientes podem ser atendidas e os agentes não ficam sem caixa!

Você pode ler mais sobre estes serviços no site da Safaricom em: http://www.safaricom.co.ke/index.php?id=745

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Jeffrey D. Sachs é uma das pessoas mais influentes do mundo, economista famoso por seu papel crucial na busca de alternativas financeiras para vários países (Bolívia, Polônia, Índia, Rússia e China), lançou em 2005 o livro “The End of Poverty”, uma obra prima, que traz alternativas reais para um dos piores problemas do mundo, a miséria extrema.

O livro tem prefácio de Bono (líder da banda de rock U2), e explica em detalhes como o sr. Sachs usa sua experiência como economista para estudar, calcular e recomendar ações práticas para a erradicação da miséria extrema até o ano de 2025. As recomendações incluem:

  • Seguir os objetivos de desenvolvimento do milênio baseados no relatório “We the peoples: the role of the United Nations in the 21st century” apresentado em set/2000 por Kofi Annan, no encontro do Milênio das Nações Unidas:
    • Erradicar a extrema pobreza e a fome
    • Atingir educação primária para todos
    • Promover igualdade entre sexos e empoderar as mulheres
    • Reduzir a mortalidade infantil
    • Melhorar a saúde das mães
    • Combater HIV/AIDS, malaria e outras doenças
    • Construir uma parceria global pelo desenvolvimento
  • Aplicar localmente intervenções para o desenvolvimento mais importantes, através de micro-financiamento e empoderamento das instituições locais (formando especialistas da comunidade, criando e reforçando associações e cooperativas locais, por exemplo):
    • Melhorar técnicas e produtos para a agricultura
    • Investir em saúde básica (mosquiteiros para todas as casas em regiões com malária e programas nutricionais para populações vulneráveis) e em educação (educação primária para todas as crianças)
    • Disponibilizar energia (acesso a combustíveis modernos para cozinhar e fogões que reduzam poluição interna), transporte (0,5km de via pavimentada /1000 pessoas) e serviços de comunicação
    • Prover água limpa e saneamento
  • Dar voz aos pobres e países democráticos como Brasil, Índia e África do Sul, aumentar o investimento americano para redução da pobreza mundial (para 0,7% do PIB conforme prometido), recuperar as funções do IMF e o Banco Mundial para redução da pobreza, reforçar as Nações Unidas, incentivar as ciências globalmente, promover o desenvolvimento sustentável e comprometer-se pessoalmente
Poverty_Sachs

Ahron de Leeuw

Para chegar a este ponto, o sr. Sachs recomenda um diagnóstico detalhado para identificar a extensão da pobreza, incluindo a análise de 7 áreas:

  1. Pobreza: % residências sem necessidades básicas atendidas, distribuição espacial da pobreza e de infra-estrutura (energia, estradas, telecomunicações, água e esgoto), pobreza por grupo (étnico, sexo e geração), fatores de risco (tendências demográficas e de meio-ambiente, choques climáticos, doenças, flutuação no preço de commodities, outras)
  2. Política econômica: ambiente de negócios, políticas de comércio e investimento, infra-estrutura, capital humano
  3. Escopo fiscal: receitas e despesas do setor público por área (comparando com PIB e normas internacionais), gestão de impostos e despesas, investimentos públicos para atingir metas contra pobreza, instabilidade macro-econômica, dívidas do setor público, despesas do setor público no médio prazo
  4. Geografia: condições de transporte (proximidade de portos, rotas internacionais e áreas navegáveis, acesso a estradas pavimentadas e ao transporte motorizado), densidade populacional (custos de conexão com energia, telecomunicações e estradas, terra arável per capita, impactos no meio ambiente per capita), condições agronômicas (temperatura, chuvas, insolação, duração e confiabilidade das estações de safra, solos, topografia, irrigação, variações de clima como El Niño, padrões de clima de longo prazo), doenças (humanas, animais, plantas, pragas)
  5. Governança: direitos civis e políticos, sistemas de gestão públicos, descentralização e federalismo fiscal, intensidade e padrões de corrupção, sucessão e longevidade política, segurança e violência interna e nas fronteiras, divisões étnicas, religiosas e culturais
  6. Cultura: relações entre sexos, divisões étnicas e religiosas, diáspora
  7. Geopolítica: relações de segurança internacional, tratados de segurança (guerra, terrorismo e refugiados), sanções internacionais, barreiras comerciais, participação em grupos regionais e internacionais

Este diagnóstico, certamente pode apoiar o desenvolvimento de diagnósticos sociais no mundo todo. Além disso, o livro apresenta vários casos de desenvolvimento bem sucedidos em pequenas vilas e favelas da Índia e Kenia, e também no mundo, como: a revolução verde na Ásia, a erradicação da catapora e da poliomielite, a campanha para sobrevivência infantil, a aliança global para vacinação e imunização, a campanha contra malária, o controle da cegueira na África, o desenvolvimento do planejamento familiar, as zonas de exportação no leste asiático e a revolução do telefone móvel em Bangladesh.

Hoje Jeffrey D. Sachs é diretor do Earth Institute, fundação criada pela universidade de Columbia com foco na busca de soluções para o desenvolvimento sustentável, e que realiza pesquisas e estudos sobre ciências da terra, ecologia e conservação, engenharia ambiental, saúde pública e políticas públicas e econômicas. Além disso, os objetivos do milênio tornaram-se o foco central do Earth Institute e a instituição articula e apóia as iniciativas das Nações Unidas nesta área.

Portanto não deixe de ler: “The End of Poverty, economic possibilities for our time”, escrito por Jeffrey D. Sachs, editado originalmente em 2005 por The Penguin Press, USA, pois, talvez você também pode contribuir para reduzir a pior pobreza do mundo, infelizmente, existente ainda no leste da Ásia e na África!
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RegreenO mercado de construções verdes está em evidência, moda ou realidade, vale a pena conferir as opções para reformar e construir seguindo padrões sustentáveis, economizando energia, água e outros recursos naturais utilizados para construção e decoração, reduzindo o impacto no meio ambinente  e permitindo uma melhor qualidade do ar dentro das edificações. O programa Regreen criado em 2008 através de uma parceria entre a Sociedade Americana de Decoradores (ASID) e o Conselho de Construções Verde americano (USGBC)  tem dicas e casos para quem planeja remodelar a casa.

No website do Regreen você encontrará 4 serviços principais:

  • REGREEN Home Assessment Form(PDF), ou Formulário para Avaliação Residencial: este formulário é o primeiro passo para um projeto de reforma e permite a realização de uma avaliação de toda a residência, incluindo a análise de desempenho residencial, sistemas de construção, integridade das estruturas,  perigos existentes, acabamento de interiores e utilização de espaços.
  • REGREEN Strategy Generator, ou Gerador de Estratégia: identifica medidas para um projeto verde, basta digitar tipo, escopo e objetivo da reforma.
  • REGREEN Residential Remodeling Guidelines(PDF), ou Guia para Reforma Residencial: apresenta 10 tipos de projetos de reforma e as decisões verdes mais indicadas.
  • Green Product Checklist(PDF), ou Lista de Produtos Verdes: orienta a seleção de materiais e produtos saudáveis e responsáveis para com o meio ambiente.

Além disso há materiais para estudo (apresentações, webinars, workshops e cursos) e vários estudos de casos (por ambiente) e de projetos planejados e executados em várias cidades americanas, como a renovação do bairro de Emeryville na California e do centro histórico de Atlanta. Não deixe de conhecer e inovar!

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Gases efeito estufa

nick russill

O Carbon Disclosure Project (CDP) é uma organização sem fins lucrativos criada em 2000 e atualmente patrocinada por 534 investidores institucionais e mais 60 organizações (entre elas Pepsico, Walmart e Cadbury). O CDP busca acelerar soluções para a mudança climática através da manutenção de um padrão de relatório e de uma base de dados referentes a emissões de carbono e gases efeito estufa, além de respectivas estratégias corporativas. A base de dados contém informações de 2.500 organizações em 60 países. O CDP desenvolve 4 programas principais:

  • CDP Cadeia de Suprimentos: estuda o impacto na mudança climática das cadeias de negócios de corporações globais, incentivando que seus fornecedores meçam e reportem suas emissões e estratégias. Este programa conta com 50 membros, incluindo, entre outros: Bradesco, Colgate-Palmolive, IBM, Danone, Dell, HP, Johnson & Johnson, Nestlé, Pepsico, Sony e Unilever. As empresas participantes também se beneficiam de:
    •  Troca de melhores práticas
    • Acesso as base de dados
    • Ferramentas e suporte do CDP
  • CDP Investidor: coleta informações de organizações no mundo todo para apoiar as decisões de investimentos dos fundos patrocinadores.
  • CDP Compras Públicas: estuda o impacto na mudança climática das cadeias de suprimentos de governos locais e nacionais.
  • CDP Relato sobre Água: trabalho com as maiores corporações mundiais sobre dados  relacionados a água.

O CDP tem escritórios em vários países, inclusive no Brasil. Na 7ª solicitação de informações para empresas brasileiras (em fev/2009), 78% das empresas responderam, totalizando 72 empresas respondentes. Apesar disso, as respostas evoluíram pouco e oscilaram entre boa compreensão sobre mudança climática e compreensão incipiente, indicando como oportunidades de melhoria:

  • Melhor qualidade de respostas
  • Mapeamento das emissões da cadeia de suprimentos
  • Melhor governança para tratamento do tema
  • Incorporação nas estratégias de sustentabilidade no curto, médio e longo prazo
  • Formulação de metas para redução de emissões
O relatório de 2009 sobre o Brasil esta disponível em português no site da CDP:
https://www.cdproject.net/CDPResults/CDP_2009-Brazil_Report_Full.pdf

Além disso, o Brasil também conta com uma iniciativa própria para contabilização de gases efeito estufa (GEE), o Programa Brasileiro GHG Protocol, criada pelo World Resources Institute (WRI) em parceria com o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). A ferramenta brasileira permite determinar as fontes de GEE nas atividades produtivas das empresas e a quantidade de GEE lançada à atmosfera. Além disso, é modular, flexível, neutra em termos de políticas e programas, compatível com normas ISO e metodologias do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), e sua aplicação é adaptada ao contexto brasileiro, permitindo que as informações geradas sejam aplicadas nos relatórios do CDP, Global Reporting Initiative (GRI) e Índice Bovespa de Sustentabilidade Empresarial (ISE).

Entre os membros fundadores do GHG Protocol (27 empresas que aderiram ao programa em 2008) estão: Abril, Alcoa, AmBev, Banco do Brasil, Bradesco, Embraer, Natura, O Boticário, Petrobrás, Sadia, Santander, Suzano, Itaú Unibanco e Whirlpool. As empresas participantes do GHG Protocol beneficiam-se de:

  • Treinamento para cálculo, publicação e divulgação de seu inventário
  • Participação na formulação de políticas públicas
  • Possibilidade de participação no mercado de carbono
  • Prevenção em relação a potenciais legislações e/ou regulamentações futuras

E devem seguir os seguintes passos para estruturar seu inventário:

  1. Definir os limites operacionais e organizacionais do inventário
  2. Coletar dados das atividades que resultam na emissão de GEE
  3. Calcular as emissões
  4. Adotar estratégias de gestão, como aumento de eficiência, projetos para créditos de carbono, introdução de novas linhas de produtos, mudança de fornecedores, etc.
  5. Relatar os resultados

Em 22/jun/2010 o Programa Brasileiro lançou o Registro Público de Emissões, plataforma de inventários corporativos de emissões, e a publicação Especificações do Programa Brasiliero GHG Protocol.

Leia mais sobre este programa brasileiro em:
http://www.ghgprotocolbrasil.com.br/index.php?page=Conteudo&id=5
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