Nov 262010
 

Relatório sustentabilidadeRecentemente, a SustainAbility e o FBDS lançaram uma análise dos relatórios de sustentabilidade brasileiros. O Brasil foi o país que apresentou o maior crescimento em número de relatórios do mundo (de 30 relatórios em 2003 para 137 em 2009), crescendo 2x mais rapidamente do que a média global. Além disso, recebeu indicações para 73% dos prêmios do Global Reporting Initiative – GRI (e levou todos). Certamente, um número ainda ínfimo em relação à base produtiva do país, mas nem por isso menos importante.

Algumas causas indicadas para este ”bom” desempenho foram:

  • Considerável aumento de investimentos externos no país, levando a uma necessidade de explicar a estratégia de sustentabilidade para investidores
  • Multinacionais brasileiras cada vez mais presentes nos mercados externos
  • Maior influência do GRI no país, principalmente através de presença local, lançamento de novas metodologias e suplementos setoriais específicos em português
  • Esforços setoriais, especialmente:
    • Energia: que em 2001 lançou uma regulamentação exigindo que as empresas do setor desenvolvessem relatórios de sustentabilidade e como resultado apresentou 4 dos 10 melhores relatórios brasileiros avaliados (EDP, Coelce, Light e Ampla)
    • Mineração: a Vale tem trabalhado com o GRI para lançar um anexo específico, contribuindo para o avanço do setor
    • Financeiro: com regulamentações próprias para incentivar a transparência e a responsabilização das empresas (especialmente após as recentes crises do mercado financeiro no mundo)

Apesar do avanço na quantidade de relatórios a qualidade ainda deixa a desejar.  De 2008 para 2010 o Brasil perdeu em algumas áreas analisadas e ganhou em outras, mas no geral ainda esta bem abaixo da média mundial. A SustainAbility usa auditoria externa para garantir a imparcialidade e consistência de suas análises e considera 29 critérios agrupados em 4 dimensões. Os resultados foram:

  • Governança e estratégia: neste item o Brasil subiu de 51% em 2008 para 52% em 2010, mas ainda está abaixo da média global de 58%. A recomendação é melhorar a análise de itens críticos do negócio (materialidade), ao invés de atacar vários temas relacionados à sustentabilidade. Concordo! Este item é crucial para a transparência e para a implementação de uma estratégia que integre a sustentabilidade e, conseqüentemente, traga resultados e agregue valor aos negócios
  • Gestão: o Brasil caiu 1% (de 44% para 43%) e ainda está bem abaixo da média mundial de 55%. A recomendação é mostrar como processos e funções do negócio engajam os públicos internos e externos e explicar quais iniciativas de sustentabilidade estão sendo implementadas e aprendizados, melhorias e adaptações relacionados
  • Apresentação de desempenho: houve avanço de 42% para 46%, mas o Brasil ainda está bem abaixo da média mundial de 56%. É necessário maior clareza na definição  e acompanhamento de metas. O relatório da Celulose Irani foi indicado como  o melhor desempenho brasileiro nesta área
  • Acessibilidade e garantia de qualidade: o Brasil também caiu de 51% para 49% e também está bem abaixo da média mundial de 58%. Infelizmente, entre outros problemas, a maioria das empresas não utiliza auditorias externas para avaliar seus relatórios…

Além disso, a consultoria indica que há grandes discrepâncias entre os relatórios examinados e que de fato as médias mascaram resultados. Por isso, é importante analisar os 10 melhores em detalhe, são eles: Natura (65%), Sabesp (51%), Celulose Irani (50%), EDP (49%), Vale (46%, primeiro relatório), Coelce (45%), Itaú (44%), Ampla (43%), Even (42%, primeiro relatório) e Light (42%, primeiro relatório).

A má notícia é que nenhuma empresa dos setores de varejo, telecomunicações e infra-estrutura lançaram relatórios públicos seguindo os padrões do GRI!  

Mais detalhes em:  http://www.sustainability.com/library/road-to-credibility-2010

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

  One Response to “Análise dos relatórios de sustentabilidade brasileiros:”

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Lis Duarte and Valmir Martins, sueli chiozzotto. sueli chiozzotto said: @sustentEresult Análise dos relatórios de #sustentabilidade brasileiros: http://goo.gl/fb/0Hsb8 #empresas #energia […]

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