Apr 282014
 

Em 2013 o Ceres (coalizão americana de investidores, grupos ambientalistas e outras organizações públicas que trabalham com empresas nos desafios de sustentabilidade), e colaboradores, lançaram uma ferramenta para avaliar a gestão corporativa dos riscos relativos à água, o Ceres Aqua Gauge™. O estudo reconhece que o aumento da demanda e a oferta limitada de água tem afetado o desempenho financeiro de vários setores industriais, causando: aumento do custo de commodities, restrições operacionais e queda de ganhos, entre outros impactos negativos.

Estes impactos são uma realidade mundial, e até mesmo no Brasil, onde a água sempre foi considerada (erradamente!),  uma fonte inesgotável, temos sofrido com enchentes e secas em proporções alarmantes em várias regiões.

De fato, estima-se que a demanda mundial por água passe de 4,5 trilhões de metros cúbicos em 2005 para  6,9 trilhões em 2030  (deste total, 65% para agricultura, 22% para indústria e o restante para uso residencial). Por outro lado, a oferta não deverá  ultrapassar 4,2 trilhões, ou seja, enfrentaremos um déficit de quase 40%!

Portanto, do ponto de vista corporativo tem se tornado cada vez mais importante, mostrar aos investidores e clientes como a empresa faz a gestão eficiente da água, como gerencia os riscos e capitaliza oportunidades relacionadas.  O Ceres Aqua Gauge™ é uma ferramenta baseada em Excel que pontua  as atividades de gestão de água da empresa, comparando-as à definições detalhadas de melhores práticas. A ferramenta considera as seguintes atividades:

  • Coleta de dados para medições
  • Avaliação de riscos diretos e da cadeia de suprimentos
  • Governança: responsáveis pela gestão
  • Políticas e procedimentos
  • Decisões no planejamento de negócios
  • Engajamento dos públicos internos e externos
  • Informações publicadas, incluindo, auditorias e relatórios financeiros

Além disso, a ferramenta reconhece os principais desafios das empresas na gestão dos riscos relacionados ao uso da água:

  • A gestão da água em multinacionais requer um sistema de gestão e governança robustos e intervenções técnicas e operacionais
  • A dificuldade para medição dos impactos das empresas sobre os recursos hídricos e ecossistemas relacionados
  • A gestão da água deve considerar impactos externos, entre eles, ambiente regulatório e mudança climática
  • As empresas devem avaliar corretamente riscos e impactos atuais, mas também devem apoiar-se no estudo de potenciais cenários futuros para avaliar riscos e oportunidades que estão por vir
  • É essencial entender a cadeia de valor de produtos e serviços para avaliar corretamente riscos e impactos
  • Questões relativas à água devem estar imbuídas nos trabalhos de sustentabilidade da empresa.

De fato, o relatório indica que:

Mesmo a operação mais eficiente e menos poluidora, pode sofrer riscos se outros usuários, sejam fábricas, fazendas ou residencias, poluem as fontes de água ou a desperdiçam.  Respostas corporativas devem considerar estes riscos na formulação de estratégias para melhorar a gestão compartilhada da água, em geral, através de colaborações que engajam os públicos de interesse que utilizam os mesmos recursos hídricos.

Leia o relatório completo em inglês: Ceres Aqua Gauge™ 

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Sobre a autora:

Sueli Chiozzotto é formada em engenharia de produção pela Escola Politécnica da USP, tem MBA pela Universidade da California em Berkeley e é sócia da MGM Partners, onde desenvolve projetos nas áreas de sustentabilidade, responsabilidade e investimentos sociais para empresas, fundações e ONGs.

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